Blogue Iniciado em 31 Julho de 2008

Trova Nossa

Este Blog pretende ser um espaço de informação sobre várias matérias relacionadas com a Música e o Som de uma forma geral, mas irá ter uma preocupação muito especial com a nossa música tradicional, por um lado, e, por outro, com as Músicas do Mundo.
Estará, como é óbvio, à disposição de todos os que queiram colaborar nesta tarefa de divulgar a a nossa música e enriquecer, com o seu contributo, este espaço que se pretende de partilha.

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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ementa das Almas em Loriga

A tradição da Ementa das Almas em Loriga, remonta, de acordo com o estudo por nós efectuado, aos tempos do Canto Gregoriano, por volta dos Séculos IX e X.
No âmbito da Licenciatura em Ensino, Variante de Educação Musical, como Memória Final, realizámos um trabalho de investigação sobre este tema. É esse trabalho que aqui disponibilizamos para ser lido por todos os interessados.Aos interessados, aqui se apresenta uma síntese desse estudo, bem como os ficheiros audio dos cantos que suportam essa tradição.
A gravação foi efectuado por Michel Giacometi, que passou por Loriga e trabalhou com António Ascensão nessa recolha. Giacometi tabalhava, na altura, na recolha de espécimes para a sua "Antologia da Música Religiosa Popular Portuguesa".
Em contacto posterior escreveu a António Ascensão, dizendo que os espécimes recolhidos em Loriga eram, sem dúvida, dos mais interessantes que havia recolhido pelo país, pois, no capítulo das Encomendações das Almas, não havia nada que se lhe comparasse.



A gravação referida, foi enviada por Giacometi a António Ascensão e contou com as vozes de dois dos "teimosos" que tudo fizeram para não deixar morrer esta tradição, no período conturbado do pós 25 de Abril. Trata-se de José Fernandes (Aleixo) e Fernando Gonçalves (meu pai), infelizmente já desaparecidos, mas que souberam transmitir a paixão por este ritual secular a outros "teimosos" das novas gerações.
Os Cânticos principais deste ritual, que aqui podemos ouvir, digitalizados por mim, a partir da gravação referida, são:


O Cântico da Ementa das Almas


O Cântico dos Martírios de Nosso Senhor Jesus Cristo


Martírios by user7256155

O Cântico dos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo


Passos de Nosso Senhor by user7256155

O Cântico da Mãe Dolorosa


Mãe Dolorosa by user7256155

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Também poderão ver estes dois videos, mais recentes, onde se pode confirmar a forma de execução deste ritual. De madrugada, quase sempre com frio, já que a Quaresma ocorre, normalmente no Inverno.

Uma parte individual com diálogo entre intervenientes colocados nos pontos altos da vila.

Uma segunda parte, colectiva, com paragens em vários locais, estrtégicos, da vila.








sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Livros Virtuais - Instrumentos Musicais

Instrumentos Tradicionais
Nestes livros para além das fotos e de informação sobre cada instrumento, poderemos, ainda, escutar o seu som.

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Instrumentos da Orquestra

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Artigo sobre História da Música

Neste artigo podemos encontrar um resumo da evolução da Música Ocidental.

Clique para ver o artigo










Instrumentos Tradicionais - Cavaquinho

O cavaquinho é um instrumento cordofone que soa por dedilhado, menor que a viola, de grande popularidade como acompanhador e mesmo solista nas orquestras do povo. O ponto é dividido em 17 trastos; tem quatro cordas de tripa ou de metal, afinadas normalmente em sol-sol-si-ré, lá-lá-dó#-mi, sol-si-ré-mi, ré-sol-si-ré ou, mais raramente, em ré-sol-si-mi (este mais utilizado por pessoas que já tocam violão e não querem ter que aprender outros acordes). O efeito assemelha-se ao do bandolim ou da bandurrilha.
O cavaquinho, segundo Gonçalo Sampaio, é procedente de Braga, tendo sido criado pelos Biscainhos. O cavaquinho tem uma afinação própria da cidade de Braga que é ré-lá-si-mi.
Além de Portugal, é usado em Cabo Verde, Moçambique e Brasil.
O cavaquinho é um cordofone popular de pequenas dimensões, do tipo da viola de tampos chatos e da família das guitarras europeias. Possuindo uma caixa de duplo bojo e pequeno enfranque, as suas quatro cordas de tripa ou metálicas (em aço) são tradicionalmente presas a cravelhas de madeira dorsais e ao cavalete colado a meio do bojo inferior do tampo, por um sistema que também se usa na viola. Além deste nome encontramos ainda, para o mesmo instrumento ou outros com ele relacionados, as designações de machimbo, machim, machete, manchete ou marchete, braguinha ou braguinho, cavaco.
Dentro da categoria geral com aquelas características, existem actualmente em Portugal continental dois tipos de cavaquinhos, que correspondem a outras tantas áreas: o tipo minhoto e o tipo de Lisboa.

Instrumentos Tradicionais - Cântaro com Abano


É um instrumento "musical" utilizado nas nossas terras, em que o "músico" bate com o abano na bilha e produz um som grave, como que substituindo o som e a função do bombo, marcando o ritmo da música.
Na Nazaré, além do instrumental de tipo semelhante ao utilizado nas rusgas nortenhas que acompanha cantares e danças do rancho folclórico local - violões, guitarras, clarinetes, harmónicas e ferrinhos - viam-se ainda a enriquecer esse conjunto, um grupo de idiofones originais, constituidos por objectos de uso corrente, improvisados como instrumentos rítmicos, que os pescadores utilizavam quando à noite saíam das tabernas a cantar e que continham possibilidades sonoras. Nomeadamente o cântaro de barro, em cuja boca batiam com um abano, as pinhas que friccionavam uma contra a outra, e uma garrafa de vidro com dois garfos no gargalo.
Curiosamente, alguns grupos folclóricos portugueses de Peniche, da Nazaré, do Bombarral, da Guarda, etc., usam o cântaro com abano - “grande quarta de barro” - sem buraco lateral.
É tocado com um abanador na abertura, produzindo um som grave que reforça o acompanhamento rítmico.