Blogue Iniciado em 31 Julho de 2008

Trova Nossa

Este Blog pretende ser um espaço de informação sobre várias matérias relacionadas com a Música e o Som de uma forma geral, mas irá ter uma preocupação muito especial com a nossa música tradicional, por um lado, e, por outro, com as Músicas do Mundo.
Estará, como é óbvio, à disposição de todos os que queiram colaborar nesta tarefa de divulgar a a nossa música e enriquecer, com o seu contributo, este espaço que se pretende de partilha.

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domingo, 25 de janeiro de 2009

Tradições da minha terra - A "Chocalhada" de S. Martinho

Nos últimos anos, vem acontecendo, em Loriga, na Serra da Estrela, a tradicional "Chocallhada" na noite de S. Martinho.

É uma tradição que tem a ver com o facto de, desde há muito as gentes da serra se dedicarem à pastorícia.
O gado, quer ovino e caprino, quer bovino, que abundava muito na região de Loriga noutros tempos, usava a "loiça" (chocalhos e campaínhas) para anunciar a sua presença e para indicar ao pastor por onde andava, quando algum se tresmalhava.
Assim, os pastores pegavam na "loiça" do seu gado e, e desciam ao povoado na noite de S. Martinho, animando com o grande alarido dos chocalhos as gentes de Loriga.

Ao investigarmos esta tradição, deparámo-nos com algumas explicações interessantes, se bem que, algumas delas, contraditórias.
Para uns, trtava-se de uma forma de ritualizar os medos que os pastores sentiam. Quando, isolados no cimo da serra, enfrentavam as intempéries e os perigos da proximidade dos lobos esfomeados, sentiam alguns medos, quanto mais não fosse, pela solidão e impossibilidade de ter ajuda, caso algo corresse mal. Esta tradição tão ruidosa era uma forma de "espantar os maus espíritos", para que não exercessem as suas más influências sobre si e os seus rebanhos.

Outra explicação leva-nos à tradição da quadra do S. Martinho. Como era a altura de provar o vinho e os pastores, normalmente estavam com os rebanhos mais próximos da vila, sentiam-se mais seguros e abusavam um pouco mais da bebida, o que naturalmente era causa de alguma euforia exagerada. Assim, pegavam na loiça do seu gado e davam largas a essa euforia causada pela abundância do vinho.
Também há quem diga que, por esta altura era o tempo de os rebanhos regressarem da transumância para perto da vila e esta era uma forma de anunciar a alegria que os pastores sentiam ao voltarem ao convívio com as suas famílias e amigos.
O certo é que se trata de uma tradição muito interessante e, em boa hora retomada por um grupo de homens e rapazes que a têm mantido e se espera continuem a manter.
Também a ANALOR - Associação dos Naturais e Amigos de Loriga, com sede em Sacavém, tem feito reviver nesta cidade as tradições da sua terra, nomeadamente esta, noite de S. Martinho e as Janeiras por altura do Natal.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Visitas Guiadas ao Mundo da Música

Durante o mês de Novembro A BIblioteca Municipal de Torres Vedras, tem patente uma Exposição Documental subordinada ao tema: Visitas Guiadas ao Mundo da Música com Ernesto Maestro.
Neste âmbito realizam-se quatro Workshops de que sou responsável.
Mais informação no link que se segue:
http://www.bibliotecadetorresvedras.net/eventos/?eid=4

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Instrumentos Tradicionais - Tréculas

As TRÉCULAS (tradicionalmente feitas de madeiras rijas) aparecem como instrumento de percussão em ambientes festivos e romarias. Dão um colorido muito bonito à música, de parceria com outros instrumentos, como o BOMBO ou os CHINCALHOS. As TRÉCULAS tomam outros nomes, dependendo da região onde são construídas. Em Barcelos, chamam-lhe TABUINHAS. Com os dedos polegares enfiados nos lacetes, abre e fecha as palmas da mão, para que as extremidades batam ao ritmo da música.
Tréculas: Idiofone composto por dez ou mais tábuas rectangulares de madeira, enfiadas e ligadas por um cordel, com duas pegas nas extremidades. Quando se manipula o instrumento com ambas as mãos, as pequenas tábuas batem umas nas outras produzindo o seu som característico. As tréculas são usadas no Minho nas festividades devocionais da Semana Santa (semana anterior ao dia de Páscoa).

Reco-Reco ou Reque-Reque

Reco-Reco ou Reque-Reque, instrumento popular minhoto de uma grande simplicidade, consiste num pau (ou cana) denteado, com cerca de 70 cm de comprimento, sobre o que se fricciona, no ritmo desejado, outro pau, ou cana rachada. Por vezes, representam figuras humanas ou de animais, geralmente burlescas, e são caprichosamente pintados, segundo a fantasia do seu construtor
Não estão muito difundidos, aparecendo apenas em rusgas, grupos festivos e nos cantares das "Janeiras".É um instrumento apenas rítmico. Reque-Reque é um instrumento característico da região do Minho.
Reco-reco é um termo genérico dos instrumentos idiófonos que produzem som por atrito. A forma mais comum é constituída de um gomo de bambu ou uma pequena ripa de madeira com talhos transversais. A fricção de um pauzinho sobre os talhos produz um som de raspagem. Também chamado de raspador, caracaxá ou querequexé. Outra modalidade é o amelê baiano, constituído de uma pequena caixa de madeira com uma mola de aço estendida; a mola é friccionada por tampinhas de garrafa enfiadas em uma vareta de ferro.
Idiofone tradicional com formas muito variadas, pertence à família dos idiofones de raspagem. Uma vara de madeira mais fina raspa a parte que tem saliências, produzindo-se um timbre característico. Há reco-recos de plástico, madeira, de metal e mistos

Instrumentos Tradicionais - Sarronca

A Sarronca é um membranofone de fricção composto de um reservatório, geralmente uma bilha, que serve de caixa de ressonância, cuja boca é tapada com uma pele esticada que vibra quando se fricciona um pequeno pau ou cana preso por uma das pontas no seu centro
Membranofone tradicional e rudimentar, é constituído por um cântaro de barro que funciona como caixa de ressonância, uma pele que tapa a boca do vaso e um pau fino que trespassa a pele e, ao friccioná-la produz um som grave.
Na região de Elvas ainda encontramos a "Sarronca" ou "Zabomba", instrumento de som, utilizado para as músicas da época natalícia. Nesta região, as olarias fabricam para essas festividades, vasilhas especiais de diferentes tamanhos. Este instrumento é usado também nas localidades de Campo Maior e Barrancos.

A SARRONCA é conhecida por muitos nomes dependendo da zona onde é fabricada. RONCADEIRA, ZAMBURRA, ZURRA-BURROS ou simplesmente RONCA nome porque é conhecida na zona de Elvas. É um instrumento tocado para o acompanhamento de canções de Natal ou das Janeiras.