Blogue Iniciado em 31 Julho de 2008

Trova Nossa

Este Blog pretende ser um espaço de informação sobre várias matérias relacionadas com a Música e o Som de uma forma geral, mas irá ter uma preocupação muito especial com a nossa música tradicional, por um lado, e, por outro, com as Músicas do Mundo.
Estará, como é óbvio, à disposição de todos os que queiram colaborar nesta tarefa de divulgar a a nossa música e enriquecer, com o seu contributo, este espaço que se pretende de partilha.

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Reconstituição de Rituais da Quaresma e Semana Santa de Loriga, no Largo da Srª da Saúde em Sacavém...

Aproveitando o facto de se realizar a Conferência: "Alma Loriguense nos Cantares da Quaresma em Loriga", a ANALOR promoveu a realização desta reconstituição, à semelhança do que já acontecera há uns anos atrás. 
Assim, pelas 21:30h começou a desenhar-se no referido Largo, o cenário para o que viria a concretizar-se depois.
A Cruz, já lá havia sido colocada, estrategicamente, a anunciar que algo deveria passar-se, naquele local. E assim foi. Por volta das 22:00h, já com o aparato todo montado deu-se início ao primeiro ritual: a Ementa das Almas. Na janela do coro da capela ecoava uma voz que pedia e um clarinete. De três pontos distintos do largo, outras vozes respondiam ao pedido, juntamente com o trompete. Durante algum tempo este cântico dolente, que costuma ouvir-se na noite loriguense, ecoava a partir do largo, com a ajuda do sistema de som, por toda a zona histórica de Sacavém. 
Seguiu-se uma arruada com o cântico dos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Após uma breve explicação foram cantados os Martírios, revivendo as madrugadas de Sexta Feira Santa,  em  Loriga e, após este Cântico, nova arruada, cantando a Mãe Dolorosa.
Seguiu-se uma procissão simulando a procissão dos Passos, a Via Sacra dos Homens e o Enterro do Senhor, culminando com o Canto da Verónica num palanque ali colocado para o efeito.
Terminou assim esta evocação dos Rituais Loriguenses, já perto das 24:00h. Quem assistiu, não deu, certamente, por mal empregue o seu tempo, pois pode assistir a uma reconstituição cerimonial, pouco comum por estas paragens.

Partilhamos aqui um conjunto de fotos, de Margarida Amaral, que reportam o que se passou nessa noite memorável:

domingo, 17 de abril de 2011

Conferência: “Alma Loriguense, nos cantares da Quaresma – uma tradição peculiar de fundas raízes” Museu da Cerâmica em Sacavém,

Decorreu ontem, dia 16 de Abril, mais uma Conferência, no âmbito da Exposição Memórias com Alma - de Loriga a Sacavém...
Com o Auditório do Museu praticamente lotado, falou-se do Ritual Secular da Ementa das Almas em Loriga: Do seu contexto cultural, da sua forma musical e até da sua denominação. No final, um grupo de homens, deu corpo a uma reconstituição do ritual, terminando com a apresentação do Canto da Verónica, tal como é cantado na Procissão dos Passos na Quinta Feira Santa, em Loriga.
São varias a peças de reportagem disponíveis na Web, sobre este evento.
Partilhamos aqui algumas:





A Ementa das Almas
A Ementa das Almas - 01
Mãe Dolorosa
O Canto da Verónica


São devidos, aqui, alguns agradecimentos. Desde logo à minha irmã Maria Aurora Pinto Gonçalves, que cantou a Verónica, as minhas sobrinhas, Cristina Romano e Margarida Amaral, que a acompanharam. O meu cunhado, Fernando Romano, que para além de nos dar o seu testemunho enquanto participante do ritual da Ementa durante alguns anos, também cantou connosco. Por outro lado, disponibilizaram-se a deslocarem-se de Loriga a Sacavém para participar neste evento.
Depois, a equipa que reuni em Torres Vedras e que colaborou comigo na reconstituição do ritual: O Rui Arménio, no clarinete, o André Pinheiro, no trompete, o Albino Santos, o Armando Brito (loriguense) e o João Augusto nas vozes. Sem eles não teria sido possível reviver este ritual.
Por fim, a colaboração da Banda de Loriga, que cedeu o transporte, para trazer de Loriga os participantes referidos.

Partilhamos alguns materiais usados na Conferência:

Conferência Memórias com Alma nos Cantares da Quaresma em Loriga


Ementa das Almas - Visão da Igreja - Pe António... por pintogoncalves

domingo, 10 de abril de 2011

Projecto Ribombar em destaque no Correio da Manhã

Na passada Quinta Feira, dia 7, a Jornalista da Lusa, Flávia Calçada, acompanhou a nossa sessão semanal, de aprendizagem das Gaitas de Foles. Na manhã do mesmo dia, acompanhou parte da nossa actuação, na Praça da República, no âmbito do evento Sabores de Cada Saber.
Daí resultou um trabalho de reportagem para a Lusa, Agência de Notícias de Portugal.
Como resultado visível, aí temos o Correio da Manhã de hoje a pegar no tema, com a noticia cuja cópia partilhamos.

A Campanha de Angariação de Fundos para aquisição de Gaitas de Foles, continua até conseguirmos a verba necessária para as cinco Gaitas de Foles, já que as que usamos agora são Gaitas de aprendizagem alugadas.

Colabore connosco!... participe nesta campanha!...
Contribua através do
NIB - 0035 0822 0006 2975 0308 2

RIBombar no evento Sabores de cada Saber...

Como oportunamente anunciámos o RiBombar foi convidado a participar neste evento... uma parceria das Escolas Henriques Nogueira e Pe. Vitor Melícias.
Aqui deixamos o registo da nossa participação.

Dia de Aniversário da MInha Mãe...

Este é sempre um dia especial... 10 de Abril é o dia de aniversário do nascimento da minha da minha mãe.
Não sei porquê, mas prefiro recordar este dia do seu nascimento, mais do que o dia da sua morte.
Assim, na passagem de mais um aniversário - seria o 76º - publico o texto com que no ano passado pretendi homenageá-la...





Maria Emília Florêncio Pinto - 10 de Abril de 1935 / 07 de Agosto de 1981

Foi a 10 de Abril de 1935. Nascia a última filha de Joaquim Pinto Assunção e Amélia de Jesus Florêncio.
A Maria Emília Florêncio Pinto, completaria hoje 75 anos.
Mulher de fibra, inteligente, trabalhadora, de enorme sensibilidade e tolerância, era o pilar da minha família.
Sendo o meu pai uma pessoa mais rude, ela equilibrava, com o seu afecto e compreensão, os momentos de conflito que os filhos , como é normal, tinham com ele.
Nunca o desautorizou, mas compensava-nos com a sua ternura e sensibilidade, nunca deixando, no entanto de nos repreender.


Pertencendo a uma família numerosa, nunca deixou de receber todos da melhor maneira que podia e sabia.
Lembro-me de ouvir aos meus primos que na altura viviam em Sacavém:
- A tia Maria Emília deve ter um segredo qualquer, porque mesmo chegando de surpresa, ela arranja almoço ou jantar para dez ou quinze em três tempos.
Era uma mulher de uma enorme simpatia e eficiência. Todos os sobrinhos a adoravam!
Habituei-me, desde pequeno, a uma casa cheia de primos, pois ela atraía a todos com a sua maneira de ser. Todos se sentiam bem perto dela e ela a todos acolhia com a mesma atenção e carinho, nunca rejeitando ninguém.


Empreendedora e corajosa, era ela que empurrava o meu pai para os projectos mais arrojados.
Era o seu porto seguro, mesmo nos momentos mais difíceis e houve muitos.
Sofreu imenso com a doença que viria a vitimá-la, mas não tinha por hábito queixar-se muito. Apesar do sofrimento, que, calculo, fosse imenso, continuou a trabalhar e a contribuir grandemente para o orçamento familiar. Até que, com apenas 46 anos, deixou de sofrer em 7 de Agosto de 1981.
Avessa a conflitos, tal como seu pai, apaziguava os ânimos entre os membros da família, ocasionalmente, desavindos, tendo sempre um conselho amigo para os mais novos e, daí a predilecção dos seus sobrinhos, quer directos, quer por afinidade.
Era admirada e respeitada por todos!
Participou nos Movimentos Operários Católicos, na JOC e na LOC, organizações cívicas de referência antes do 25 de Abril.
Apesar de pouco instruída, tinha apenas a 4ª Classe, era uma pessoa extremamente culta, já que tinha herdado muitos dos conhecimentos do seu pai.
Abandonou os Lanifícios, mas dedicou-se às Malhas, sendo o pilar da micro empresa familiar que criou com o marido. Era ela o suporte logístico da empresa e o seu empreendorismo levava-a a procurar sempre novos modelos para estar actualizada e na vanguarda da tecnologia do sector.
Lembro-me que foi ela que convenceu o meu pai a comprar uma máquina tecnologicamente avançada para fazer "Jacard" a partir de cartões picotados. Chegou a criar padrões próprios, no sentido de tornar os seu produtos mais concorrenciais.
Para além destas qualidades... era uma cozinheira, como havia poucas!
Com ela aprendi a cozinhar... a tecer... a ler... a sentir... a pensar...
O que hoje sou, como pessoa, mais do que ao meu pai, devo a ela.
Estávamos sempre muito mais próximos, ela costumava dizer que eu não precisava falar, porque ela adivinhava o que eu pensava e sentia...
Era assim a minha mãe! A melhor mãe do mundo!
Onde estiveres... parabéns pelo teu aniversário!