Blogue Iniciado em 31 Julho de 2008

Trova Nossa

Este Blog pretende ser um espaço de informação sobre várias matérias relacionadas com a Música e o Som de uma forma geral, mas irá ter uma preocupação muito especial com a nossa música tradicional, por um lado, e, por outro, com as Músicas do Mundo.
Estará, como é óbvio, à disposição de todos os que queiram colaborar nesta tarefa de divulgar a a nossa música e enriquecer, com o seu contributo, este espaço que se pretende de partilha.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Gravada a versão final do Hino da Praia Fluvial


Depois de ter sido apresentado pública e oficialmente no passado dia 9 de Junho, no decurso da 24ª Semana Serrana, gravámos hoje, num dos melhores estúdios da Península Ibérica, que por acaso se situa em Ponte do Rol, a versão final do Hino da Praia Fluvial de Loriga.
Chegámos, assim, ao fim de um processo que se iniciou há pouco mais de um mês com um encontro entre o autor/compositor Amadeu Diniz da Fonseca, que conhecemos através do loriguense José Prata.
O local escolhido foi a sede da ANALOR, com a presença do Presidente da Direção, Dr. José Mendes e nesse dia ouvimos pela primeira vez o que era um esboço  da cantiga. Nesse mesmo dia trocámos ideias sobre alguns dos aspetos da letra, do refrão, do ritmo, da possivel orquestração e comprometemo-nos a dar seguimento ao projeto.
Pedimos colaboração a um outro loriguense, o José Manuel Alves que, prontamente, aceitou e com quem trocámos ideias sobre o arranjo instrumental  e a forma de o gravar. É dele o arranjo instrumental e, com ele, gravámos a maquete e a versão que apresentámos na Semana Serrana.
A Silvia Filipe entra no projeto, porque tem uma excelente voz, dois discos gravados e alguns anos de ligação ao mundo das cantigas. Esteve há alguns anos em Loriga onde atuou, com o grupo feminino as "Coktail K" e leciona a disciplina de EVT na EBI Padre Vitor Melícias, onde trabalhamos  e colaboramos em alguns projetos desde 2006.
Aceitou o desafio de dar voz ao nosso hino e fê-lo com muito gosto, como fez questão de frizar.
O resto apareceu naturalmente já que fazemos este tipo de trabalho há muitos anos e a orquestração final, bem como o arranjo vocal, foi ada nossa responsabilidade.
Coincidentemente, existe em Ponte do Rol um dos melhores estúdios da Peninsula, como já referimos, o Canoa Studios.
Entre muitos outros trabalhos de grande viibilidade deste estúdio, podemos referir que o grande sucesso  "Perdoname" de Carminho e Pablo Alboran, gravou as Guitarras e as vozes neste estúdio.
Por outro lado, o Nelson Canoa, dono e responsável pela nossa gravação tem a direção musical do programa "Ídolos" da SIC.

Estavam, assim, reunidas as condições para chegarmos a um produto com a qualidade do que aqui apresentamos e Loriga merece!
Partilhamos também alguns dos momentos da gravação.  












terça-feira, 12 de junho de 2012

Praia Fluvial de Loriga já tem Hino...

No passado sábado, dia 9 de junho, teve lugar na Quinta de S. José em Sacavém, no decorrer da 24ª Semana Serrana, organizada pela ANALOR, Associação dos Naturais e Amigos de Loriga, a apresentação oficial do hino da Praia Fluvial de Loriga.

Foto Nádia Garcia Martins

Com a presença do autor e compositor, Amadeu Diniz da Fonseca, do José Manuel Alves e de Pinto Gonçalves,  que em parceria fizeram a orquestração e do padrinho da Praia, na sua candidatura às 7 Maravilhas - Praias de Portugal, António Sala, foi apresentado a uma plateia que enchia a Quinta e que entoou em coro o refrão: Ó Loriga, ó Loriga / Minha serra minha mãe / Tua praia é a mais bonita / Que a nossa Estrela tem.
Cantado ao vivo por Fernanda Conde e Pinto Gonçalves, contou com a colaboração do vasto público presente.

Partilhamos aqui algumas fotos do momento e um vídeo cuja a banda sonora é uma primeira gravação do Hino feita para a apresentação.



Foto de José Prata


Foto de Tó Amaro

terça-feira, 29 de maio de 2012

8ª Edição do Dia do Bombo, Domingo, 27 de Maio, no Seixal - Portugal a Rufar 2012


Foi no passado domingo, no Seixal,  que teve lugar a 8ª edição do Portugal a Rufar.
Com a presença de 25 grupos e orquestras de percussão, as ruas da cidade ribeirinha foram invadidas pelo troar de centenas de bombos, que se fizeram ouvir ao longo de todo o dia.



O Ribombar e mais 24 grupos marcaram presença nesta edição. Em 8, vamos na 4ª participação... Para o ano prometemos voltar. Foi um dia de alegra convívio com muito ritmo, muitos bombos e pessoas de todas as idades a celebrar, com ou sem bombo... o Seixal foi, mais uma vez, a "Capital Mundial do Bombo"... com o nosso precioso contributo!!!

Vindos de todo o país, chegaram ao Seixal centenas de tocadores e dezenas de grupos de bombos e orquestras de percussão tradicional portuguesa, compondo um cortejo sem fim.


O Programa estava assim delineado:

• 09h00 - Chegada dos grupos à Praça 1º de Maio, Seixal.
• 10h00 - Alinhamento dos grupos no local de arranque do desfile.
• 11h00 às 12h30 - Grande Desfile do Dia do Bombo com início na Praça 1º de Maio até ao Largo dos Restauradores
• 12h30 - Concentração dos grupos, formando uma Grande Orquestra PAR'12, com participação de todos os tocadores, no Largo dos Restauradores. Mensagem de boas-vindas, pela autarquia local. Intervalo para Almoço
• 14h30 - Concerto do Dia do Bombo com as Percussões da Metropolitana e a Orquestra Tocá Rufar.
• 15h00 às 17h00 - Actuação dos grupos de bombos e orquestras de percussão que participaram no Grande Desfile do Dia do Bombo, animando o centro histórico do Seixal
• 17h00 - Festa de despedida no Largo Luís de Camões
• 17h30 - Encerramento do PAR'12

Partilhamos aqui um video com uma síntese da nossa participação:

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Serões D'Aldeia... Em Alvoco da Serra


Depois de Loriga ter recebido os Serões D'Aldeia em 24 de Março, mostrando a tradição secular da Ementa das Almas, é a vez de Alvoco da Serra, com a sua Caminhada do Lampião.

A Câmara Municipal de Seia pretende preservar, valorizar e divulgar, no âmbito do Projeto das Aldeias de Montanha, algumas das suas tradições mais significativas. Para este efeito a autarquia, em colaboração com toda a comunidade, delineou para este território um plano de animação que se materializará nos denominados “Serões de Aldeia”, uma estratégia diferenciadora de valorização da identidade das populações, com base na riqueza e autenticidade das suas tradições, enquanto capacidade dos territórios se diferenciarem como destinos turísticos.


Nesta caminhada que seguirá o trajeto do "Giro da Água", cada participante, far-se-á acompanhar do tradicional lampião, para lhe iluminar o caminho, tal como o faziam aqueles a quem a água do "giro" calhava durante a noite. Uma vez que o giro não parava, se não regassem na hora estipulada, só teriam água para regar quando o giro desse a volta o que poderia levar uns bons dias.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Loriga... A Tradição dos Lanifícios...

Em Loriga perduram, como em nenhum outro lugar, memórias de dois séculos das artes dos lanifícios...
As fábricas fecharam... Muitos dos antigos operários rumaram a outras paragens, à procura de melhor vida. Outros ficaram e olham para as antigas fábricas com a nostalgia de anos e anos, vividos no meio dos fios, da lã, das correias e dos carretos, do ruído dos teares, do vai-vem das lançadeiras...
Outros, foram-se definitivamente para uma viagem sem retorno, mas deixando nos seus descendentes a memória viva, da glória dos tempos áureos desta industria, que cresceu com Loriga e a fez crescer.
Ninguém imagina que possa criar-se no concelho um Museu dos Lanifícios e não se olhe, de imediato, para esta terra que, para além da própria produção têxtil, produziu um exército de operários qualificados que pontificaram nas maiores empresas nacionais do setor. Que teriam sido a FISEL e a VODRATEX, sem os operários Loriguenses? E as fábricas Manuel Dinis e Barros, na região de Lisboa? E outras que seria fastidioso aqui enumerar, que contaram com o "Know How" loriguense para se desenvolverem e inovarem?
Pois bem! Esta publicação, vem a propósito de uma foto e subsequente poema, do meu amigo e conterrâneo José Manuel Alves, sobre a Fândega, uma das primeiras fábricas de Loriga, cujas ruínas, imponentes, teimam, ainda hoje, em não deixar morrer as memórias da indústria que, por dever cívico e historico, não podemos deixar que apaguem da nossa terra.
Está bem patente no seu poema essa marca, bem vincada que, qual seiva, nos corre nas veias da memória coletiva.
Loriga rima com Lanifícios e Lanifícios rima com Loriga e ninguém pode apagar isso do nosso ADN.
Eis a foto e o poema, ambos de uma beleza que só o "Zé Manel", com a sua veia de artista consegue captar. Parabéns Zé Manuel!...



Ruínas de Uma Fábrica de Lanifícios.

Hà muito se calaram os teares
Onde as “lançadeiras” endoidadas
Entrelaçavam  como loucas,
A trama de infindáveis fios de lã
Que a incansável “fiação” enrolava nas canelas
Num estonteante vaivém ritmado.

Há muito desaparecerem os concêntricos tambores
Rodando alinhados ao longo do comprido veio
Que no alto das paredes impulsionavam
As enormes correias de couro
Sedutoras do nosso olhar
Num carrossel ensurdecedor
Que abalava os tímpanos.

Há muito os cardos deixaram de “esgarrar”
As mãos   calejadas e ágeis dos cardadores
Manipulando  experientes
Os fardos de lãs
Chegados das tosquias.

Há muito se esvaiu  o odor carregado das tintas
Que se escapava das caldeiras
E do  “Hidro” da  tinturaria


Há muito desapareceu o olhar
Das fiandeiras, tecelões,cardadores,
Cerzideiras,  Atadeiras
Espinçadeiras, Urdideiras..
Trabalhadores  vestidos de ganga  
Desafiando o azul do Céu na Primavera.
Contrastando com as cores vivas ou apagadas
Dos “cortes” de fazenda
Estendidos a secar como bandeiras 
Esticadas à força 
Na “ Rambola”.

Hoje, apenas te sobraram as paredes nuas
Erguidas num sepulcral silêncio
Só cortado pelo cantar indiferente
Das águas da ribeira
Que antes faziam  girar a tua  alma
Em forma de roda gigante


Autor:
José Manuel Alves