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Trova Nossa

Este Blog pretende ser um espaço de informação sobre várias matérias relacionadas com a Música e o Som de uma forma geral, mas irá ter uma preocupação muito especial com a nossa música tradicional, por um lado, e, por outro, com as Músicas do Mundo.
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terça-feira, 7 de julho de 2015

O Povo Que Ainda Canta - Páscoa em Loriga

Por Trás das Câmaras...

De 3 a 6 de abril, deslocámo-nos a Loriga, com uma  equipa do projeto MPAGDP - A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria, liderada pelo realizador, Tiago Pereira, integrando, ainda, a Cláudia Faro Santos e a Telma Freitas Morna.
O projeto inicial era recolhermos imagens dos rituais da Semana Santa, nomeadamente a Ementa das Almas e algumas cantigas do Cancioneiro da Vila de Loriga e do Cancioneiro do Pe. Jaime Pereira, Alegrias Populares, bem como ouvir algumas das pessoas que têm memórias vivas das tradições musicais da região, mas com especial incidência nas da Quadra Pascal, em Loriga.


O primeiro dia foi de adaptação, mas não deixámos de começar a gravar com um grupo improvisado de pessoas que fomos encontrando pela rua. Três mulheres, a Adélia Prata, a Irene Mendes e a Teresa Gouveia e três homens o António Dias, o Fernando Pereira e o Zé Correia. Depois da concordância das pessoas,  havia que encontrar um local para gravar. Aqui, o Tiago, começou logo a revelar o grau de exigência que coloca na escolha, criteriosa dos cenários. À terceira tentativa, lá encontrámos o "decor" ideal para começar a gravar. Iniciámos com uma cantiga que toda a gente sabe, pelo menos os mais antigos, têm-na na sua memória e os mais novos, ouviram-na aos grupos que foram surgindo, após as recolhas do Mestre Ascensão, nos anos 70/80. Trata-se do Adeus Terreiro do Fundo, que foi gravado no Terreiro do Fundo, no quintal da antiga casa do "Mestre Carlos Simões".
É, precisamente, esta cantiga que abre o 21º episódio da Série Documental, O Povo Que Ainda Canta, emitida pela RTP 2, todas as quintas-feiras. Este episódio tem por título: Páscoa em Loriga.



Mas também as cantigas do teatro foram lembradas e registadas. Bem como as Loas à Srª da Guia.
Registámos um diálogo cantado, a Rita e o Manecas, que foi uma das pérolas das Melodias de Sempre, que se cantavam  no teatro, nos idos anos 50,60 e 70. O par que deu voz a este sucesso era composto pela Teresa Gouveia e o Fernando Pereira.

À noite, realizava-se a Procissão dos Passos, com quadros de uma grande riqueza cénica, como o Encontro e o Canto da Verónica, preparámos tudo para que, quando chegasse a altura, pudéssemos registar todos os pormenores deste ritual ancestral. E assim, registámos partes da procissão e o Canto da Verónica, interpretado pela Aurora Romano, que há 40 anos assegura este ritual.


No final da Procissão dos Passos, ainda houve tempo de registar os depoimento de um dos autores do Cancioneiro da Vila de Loriga, o António Luis de Brito.


Por volta das duas horas da madrugada iniciava-se o canto dos Martírios, integrado no Ritual da Ementa das Almas, cantado da Sexta-Feira Santa. Registámos um dos diálogos entre o Victor Moura e  o Mário Amaro, no Adro e Terreiro do Fundo. Ainda tentámos registar diálogos noutros locais, mas as condições de luz não o permitiram.


No final, acompanhámos a arruada, registando imagens do canto da Mãe Dolorosa, na confluência da Rua Viriato com a Rua do Santo Cristo e no Adro, junto à fonte. Como a luz era fraca até nos socorremos do reforço de iluminação, dos faróis de um carro, que na altura estava a passar por ali.


Terminada  a arruada havia que combinar como juntaríamos o grupo para gravar a arruada da Quaresma ou seja, o cântico dos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como havia indisponibilidade de vários elementos para reunir o grupo no sábado, decidiu-se que faríamos a gravação naquele momento, dentro da igreja. Tal decisão deve-se ao facto de haver a possibilidade de ter acesso à chave, por parte do Victor Moura.
A acústica e a iluminação da igreja, permitiram, assim, uma melhoria significativa da qualidade da gravação e da imagem.
Eram praticamente cinco horas da madrugada quando finalizámos.


Na manhã seguinte, já muito próximo da hora do almoço rumámos ao Aguincho, onde o Carlos Brito, nos havia prometido um encontro com elementos das "Concertinas da Teixeira".  Almoçámos no Viveiro das Trutas e a seguir ao almoço, já perto das 15 horas, lá apareceu o José Domingos, com a sua concertina. Como todas estas coisas são combinadas ao momento, fomos encontrar o cenário ideal para gravar, na Ribeira de Alvôco, nas traseiras do Viveiro.


Este dia foi todo passado fora de Loriga. A paragem seguinte era Alvôco da Serra. Parámos na Igreja, onde nos esperava o sacristão, o Sr. João Belarmino que é  um autêntica enciclopédia viva.


Falou-nos das tradições de Alvôco da Serra, do Cancioneiro Alegrias Populares, do Pe. Jaime, com quem conviveu muitos anos e dos rituais da Semana Santa, nomeadamente a procissão do Enterro do Senhor e do Canto da Verónica, que aqui, ao contrário de Loriga, ocorre na Sexta e não na Quinta-Feira Santa. A procissão começa, precisamente, com o Canto da Verónica dentro da igreja.
Aguardámos, então, pela hora da procissão, que teria lugar antes da de Loriga, que também queríamos registar. Como o Pe. João é pároco das duas paróquias e teria que assegurar os dois rituais, permitiu-nos o registo de ambas.



Sem demora, após ter registado a fase inicial da Procissão em Alvôco da Serra, rumámos a Loriga,  onde a guardámos o início da procissão, da qual se registaram, várias passagens, tendo como principal preocupação no registo do som da Banda Filarmónica, que normalmente acompanha o Enterro do Senhor com uma Marcha Fúnebre.




Terminara o segundo dia e o merecido descanso chegou, bem mais cedo que na noite anterior. 
O sábado iria ser, também, um dia repleto de trabalho.
Começou pelas 9:30h com registo do depoimento que iria ser a narrativa do programa. No quintal da casa onde ficámos alojados, com vista para a magnífica paisagem da Canada e da Penha d'Águia, durante cerca de 20 minutos falámos de todas as vivências da juventude em Loriga, das investigações e dos estudos que ao longo da vida fomos efetuando e da paixão que sentimos por todos os rituais e tradições da nossa terra. Tentando explicar cada um dos rituais, cada uma das tradições, enfatizando a saudade com que recordamos esses momentos e a profundidade dessas memórias.


Como não havia tempo a perder, quando terminámos já nos esperavam o Fernando Ortigueira, o Gabriel Pina e o Carlos Pereira, com quem iríamos registar o Fado de Coimbra e recordar as "tertúlias" de Loriga, nas barbearias, alfaiatarias, sapatarias ou um qualquer "balcão" onde se juntavam os "habitués" destes encontros musicais.



Durante a manhã, ainda houve tempo para registar a Ementa das Almas. Na Capela da Nª Srª do Carmo, gravámos o Cântico da Ementa, que se canta nos sábados da Quaresma. Tendo como protagonistas o Carlos Marques o Carlos Pereira nas vozes e a Rita Almeida no clarinete.


Antes do almoço ainda se conseguiu registar um momento com o Gabriel Pina, recordando o grupo "The Karts", uma formação musical inspirada na Beatlemania, que nos anos 60, também chegou a Loriga. O Gabriel executou na guitarra o imortal tema dos "Animals", The House of Rising Sun. Também a Rita Almeida nos brindou com um belo solo de clarinete, momento que também foi registado em video.


E era chegada a hora do merecido almoço. 
Todas as refeições que fizemos em Loriga, tiveram lugar no Restaurante Império, onde fomos sempre muito bem servidos, levando a equipa uma ótima imagem de Loriga, também neste capítulo.
A tarde estava programada para registar tradições de Alvôco da Serra, mas pelo caminho, ainda havíamos de registar um momento do pastor Abílio Correia, junto do seu rebanho.
Fomos encontrá-lo, um pouco acima da "Casa do Guarda" no caminho de Cabrum. Local onde, segundo nos havia garantido de manhã, o gado estaria, após o almoço. E não se enganou! Afinal, à hora combinada lá estava ele mais o seu rebanho, no local acordado.


Rumámos, em seguida, para Alvôco da Serra, onde nos esperava um grupo de pessoas que se dispôs a reviver as Danças na Eira e a cantar as cantigas que chegaram até nós, através da tradição oral e que o Pe. Jaime Pereira registou, há muitos anos, no seu cancioneiro, Alegrias Populares.
Começámos por ouvir as "Velhinhas" que o Tiago Pereira tanto gosta.




Depois fomos para a Eira e começou o "baile", primeiro com a moda cantada e dançada, Anda lá Para Diante. Depois com o Fado Mandado, como aqui era conhecido, já que em outras regiões lhe chamam Fado Corrido ou Fado Batido, acompanhado pelo realejo, harmónica de boca ou gaita de beiços, nomes vulgarmente atribuídos a este instrumento. Era assim que em tempos idos se convivia. Com uma gaita de beiços, armava-se um baile.




Como ao longo dos dias fomos recolhendo informações novas, através dos vários interlocutores, surgiu em determinada altura a informação que nós já conhecíamos, mas que era uma novidade para o Tiago, de que a tão propagada cantiga, Apita o Combóio era oriunda da região. O Tiago pediu-nos logo: - Temos que arranjar uma velhinha para gravar  essa cantiga.
Pois bem! Era o passo seguinte. Já ao cair da tarde regressámos a Loriga, com a preocupação de resolver a questão: Onde é que nós íamos arranjar uma velhinha? 
Entretanto, fez-se luz! Dirigimo-nos à Casa de Repouso Nª Srª da Guia e gomo pedir á D. Adélia Mourita que viesse connosco para gravarmos umas cantigas, uma vez que ela foi, também uma das fontes do Cancioneiro da Vila de Loriga. Aceitou de imediato e dirigimo-nos ao recinto da Nª Srª da Guia. Na descida para o recinto encontrámos o enquadramento certo e, sentada no " cômbaro" lá nos cantou, entre outras modas, o Apita o Combóio.


O terceiro dia chegava ao fim. Mas... muito ainda havia para fazer. Antes de mais descarregar os cartões para o computador, carregar as baterias, pois, no dia seguinte ainda havia registos a fazer.
A jornada estava quase concluida.
No domingo de manhã, dia de Páscoa, tem lugar a Procissão da Ressurreição. Foram os primeiros registos do dia, começando, desde logo, pela banda da Sociedade Recreativa e Musical Loriguense.


Em seguida, alguns planos da Procissão.


Logo após a Procissão, aproveitando o facto de o homem ter saído de casa para acompanhar a mesma, conseguimos o acordo do Sr. António Luis Amaro, principal fonte do Cancioneiro da Vila de Loriga, para fazermos um pequeno registo com ele. Lembrámo-nos de que o cenário ideal para este registo seria o Tapado, onde o Sr António cresceu e ainda cultiva alguns terrenos. Aqui as suas memórias estariam mais vivas do que em qualquer outro local de Loriga. Foi no Tapado que gravámos este homem, com uma memória prodigiosa. poderia estar horas a recitar quadras como ele diz, que ouviu ao seu pai, durante a infância e juventude.

E assim chegámos ao almoço.
Depois de saciados com um almoço meio acelerado, já com as malas aviadas para partir de imediato, ainda esperámos pelo início da Visita Pascal.  Registámos o som característico dos sinos, com o tradicional: Andai, andai, andai... Que o padre já lá vai...


Ficou ainda registada a visita a uma das primeiras casas, bem como o tradicional gesto do padre ou de um dos seus ajudantes atirar os rebuçados do "palanquim" da Residência Paroquial.
E assim terminava um intenso fim de semana de Páscoa, vivido, de forma diferente, sempre a correr, num alvoroço constante, com a preocupação de registar o mais possível. As oportunidades não surgem todos os dias e havia que rentabilizar ao máximo o esforço que foi feito para recolher , para memória futura os registos  destes rituais que marcam a nossa identidade como povo.
O resultado imediato foram dois programas, um de rádio, emitido pela Antena 1 no dia 10 de abril e um de televisão, que foi emitido no dia 11 de junho.
Aqui ficam os links para quem quiser ver ou rever os mesmos.



São devidos agradecimentos ao Tiago Pereira e à sua equipa, em primeiro lugar. Aos presidentes de Junta de Alvôco da Serra, Gina Brito e de Loriga, António Mauricio, pelo apoio que nos deram.
Também a todos os que connosco colaboraram de qualquer forma, destacando o Fernando Mendes da Loripão, o Carlo Brito do Viveiro de Trutas do Aguincho e todos os que se dispuseram a colaborar ativamente como intervenientes nas gravações.
A todos um grande "Bem Hajam"!!! 

sábado, 4 de julho de 2015

Grupos de Torres Vedras atuam em Loriga e Braga...

ComCordas, Ribombar e Rufos & Roncos, tinham atuações marcadas para Loriga, na Serra da Estrela, no dia 13 de junho, no âmbito das Festas de Santo António. A viagem estava marcada para as 8h, mas devido à forte chuvada que caía a essa hora, a partida foi-se atrasando, tendo partido quase uma hora depois. A viagem foi calma e o tempo foi melhorando à medida que nos aproximávamos do destino. 



Ao chegarmos a Loriga, a mesa já estava posta no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Loriga. Era o “plano B”, uma vez que o programa era um piquenique na Praia Fluvial de Loriga, com a possibilidade de uma “banhoca” antes do almoço. A essa mesa juntámos outra com os farnéis que haviam sido preparados. Embora com alguma chuva pelo meio, lá fomos visitar a Praia Fluvial, após o almoço.




 De seguida rumámos à Escola Reis Leitão, onde ficaram alojados os mais jovens, enquanto os mais velhos seguiram para os seus alojamentos. A arruada do Ribombart estava programada para as 17h.
Pela terceira vez, em 5 anos, o Ribombar animou as ruas de Loriga. Desta vez com o reforço dos Gigantones do Carnaval de Torres e com o Frei Simpático, a nossa mascot, que espalha simpatia pelos locais onde atuamos. É sempre com enorme alegria que estes jovens visitam Loriga, terra que se habituaram a gostar, não só pelos seus encantos naturais, como provam as fotos dos rostos alegres registadas na Praia Fluvial, mas sobretudo pela forma como são recebidos e pela simpatia das pessoas.



A arruada começou um pouco mais tarde que o previsto, uma vez que a ameaça de chuva pairava no ar. Mesmo assim decidimos avançar. A meio do percurso fomos surpreendidos por uma forte chuvada, que nos obrigou a interromper a arruada e abrigar-nos numa garage. Quando a chuva parou, retomámos a marcha mas na reta final do percurso nova bátega de água obrigou-nos a parar com as peles dos bombos completamente ensopadas.



À noite era vez do ComCordas - Grupo de Cavaquinhos de Torres Vedras e do Rufos & Roncos, se exibirem no palco da festa.
Apesar do pouco publico, afugentado pela chuva e pelo frio, os grupos realizaram o seu espetáculo granjeando as simpatia e os aplausos dos presentes.
Não podemos deixar de agradecer o convite à Comissão de Festas do Santo António, mas também aos Bombeiros, que disponibilizaram o seu espaço para nos receber ao almoço e à LORIPÃO, que, para além de nos oferecer pão e bolos para o pequeno almoço, ainda disponibilizou o espaço da padaria para que o bombos aí pernoitassem e assim pudessem estar secos depois da chuvada que apanharam, para podermos cumprir a nossa missão em Braga no dia seguinte.

Ribombar promove o Carnaval de Torres em Braga

Depois de um dia extenuante, com muita chuva, em Loriga, a viagem para Braga, iniciada bem cedo, foi de repouso, para recuperar o sono interrompido.
Havia pressa de chegar, já que havia uma hora marcada para  a cerimónia de receção aos grupos participantes do XXVI Encontro Internacional de Gigantones e Cabeçudos, na Câmara Municipal de Braga.



O Prof. Pinto Gonçalves, responsável pelo grupo, participou nesta cerimónia, onde os representantes dos 42 grupos participantes trocaram mensagens e lembranças. Todos os grupos receberam um saquinho com brindes alusivos ao Carnaval de Torres, cedidos pela Promotorres e folhetos de Torres Vedras, enquanto a Associação Ida e Volta, promotora do evento recebeu um livro oferecido pela Câmara Municipal de Torres Vedras e uma caixa de pasteis de feijão, oferecidos pela fábrica Coroa.
Após a cerimónia  havia alguma pressa para almoçar, uma vez que às 16h estava marcado o Grande Desfile, momento alto deste evento que vai já na sua 26ª edição e que marca o início das Festas de S. João em Braga. Trata-se de um evento que atrai à cidade de Braga largos milhares de visitantes, pelo que, a promoção que desde há dois anos vem sendo feita, pelo Ribombar, ao Carnaval de Torres, assume alguma importância, principalmente junto dos grupos estrangeiros. Este ano eram cinco os grupos espanhóis, que classificam este encontro como o maior evento ibérico, de percussões e Gigantones.





Foi mais uma jornada de aprendizagem e convívio para os nossos jovens e uma oportunidade de promoverem a sua terra através do seu desempenho artístico.

sábado, 30 de agosto de 2014

Novas Rotas Pedestres em Loriga... Algumas sugestões



Há cerca de 5 anos, desafiado pela nossa conterrânea, Margarida Pina Reis, desafiei e envolvi o Carlos Amaro para desenharmos alguns percursos pedestres que, devidamente assinalados e com informação adequada, pudessem ser apresentados aos visitantes como pólos de interesse turístico da nossa terra.  Em 8 de agosto de 2010 dei nota do resultado desse trabalho aqui:


Fruto desse trabalho, desenvolvido sob a égide da Confraria da Broa e do Bolo Negro de Loriga,  em 14 de agosto de 2010 foram apresentadas as "Rotas da Broa", facto quem assinalámos com um post neste blog: 

Na altura, não foi fácil conseguir todas as colaborações que pretendíamos reunir, mas, apesar de tudo, prosseguiu-se o trabalho no sentido de chegar ao objetivo,  que foi atingido.
Hoje, tudo é mais fácil, uma vez que o CISE e a própria autarquia,  já assumiram as rotas pedestres como uma prioridade, o que é louvável a todos os níveis.

Preocupa-me, no entanto, o facto de que a manutenção dessas rotas tenha custos, provavelmente imputados a todos os munícipes, enquanto que empresas especializadas na organização de, passeios, caminhadas, aventuras e outras denominações, usando essas rotas, não contribuam para a sua manutenção, seguindo o princípio, hoje tão em voga, do utilizador/pagador.
Vejo anunciadas, por algumas empresas da capital ou dos arredores, descidas da Garganta de Loriga, com custos de  40 ou 50 euros por pessoa, bem como outros percursos a preços variáveis. Pergunto: Será que desses 40 ou 50 euros não seria justo pedir uma percentagem, a título de taxa, para a autarquia, criando assim um fundo para manter as rotas e, eventualmente, permitir a criação de outras novas?

É óbvio que a cobrança desta taxa, só teria lugar em situações comerciais. Os particulares ou instituições sem fins lucrativos que utilizam estas rotas, não faria sentido que fossem taxados, uma vez que não têm receitas, não as utilizam com fins comerciais.

E porque não, promover a nível local, empresas que se dediquem à organização deste tipo de atividades?

Durante as minhas férias, este ano, procurei fazer algumas caminhadas, explorando novas rotas. Recordando a infância, percorri alguns caminhos e revi locais, que não via há mais de 4 décadas. As paisagens continuam magníficas, como se pode constatar pelos registos fotográficos que aqui partilho. No entanto, a falta de limpeza dos trilhos, das veredas e caminhos antigos, impediram-me de ir mais longe.
Deixo aqui uma sugestão às entidades competentes: Agora que consolidaram as rotas, no vale da Ribeira da Nave, porque não investir um pouco no Vale da Ribeira de S. Bento, também ele, com paisagens de cortar a respiração?... Uma subida ou descida do Vale da S. Bento pode ser tão ou mais "radical" que o percurso da Garganta de Loriga.
A atestar esta afirmação deixo um video com algumas das fotos que registei, nos dois dias em que subi o Vale de S. Bento. Primeiro pela margem direita, até aos Alqueves, uma vez que o caminho a partir daí, não está muito capaz de prosseguir a subida. O mesmo se passou no dia seguinte, na subida da margem esquerda, até onde foi possível. Desta vez chegámos aos Coiços, uma vez que a partir daí, também o caminho não oferece condições para prosseguir.


Outro percurso que poderia ser facilmente "vendido" a quem nos visita é o da Calçada Romana, que vai da Campa até ao Chão dos Dornos e eventualmente continuar até à Portela do Arão, em direção ao antigo Viveiro. Este troço de Calçada Romana é o mais longo e mais bem preservado de Loriga. Por outro lado tem a mais valia do Caixão da Moura incluída no percurso.

A minha intenção ao publicar este "post" não pretende atingir ninguém em particular, nem pessoal nem institucionalmente.  Trata-se, apenas de um contributo de alguém que ama a sua terra e que gostaria  de vê-la desenvolver-se  e garantir  um futuro melhor aqueles que escolheram aí permanecer.
Loriga merece tudo o que possamos fazer para promover o seu desenvolvimento!...



sábado, 26 de julho de 2014

Reflexão de Férias... Quando é que vão permitir que as escolas funcionem?...


Há 34 anos que estou ligado a este setor, exercendo variadas funções, desde a função de professor, dos diversos níveis de ensino, até às funções de dirigente de diversas estruturas associativas, ligadas à educação, umas de carácter sindical, outras de carácter pedagógico e até mesmo funções de direção de estabelecimentos escolares. Participei em inúmeras reuniões de negociação com várias equipas ministeriais. Representei os professores na UGT e na FESAP. Estive diretamente envolvido na criação do movimento sindical independente dos professores. Nunca me abstraí  de emitir a minha opinião, nas organizações a que pertenci, mesmo sendo minoritário, mas exercendo o meu direito de cidadania, que permite a livre opinião. Nunca virei a cara à luta, estando na linha da frente de algumas das lutas mais difíceis da classe. Confesso, no entanto que a desilusão começa a ganhar raízes dentro de mim! Não que enjeite as minhas responsabilidades enquanto cidadão livre e responsável, pois continuo a intervir socialmente. A prova disso é a recente nomeação para o Conselho Municipal de Educação, de Torres Vedras, em representação do agrupamento de escolas onde exerço funções. Por outro lado, ainda esta semana fui reeleito para mais um mandato de 4 anos, como Presidente do Conselho Geral  do Agrupamento de Escolas Pe. Vitor Melícias.
Posso, portanto, com conhecimento de causa, analisar a evolução ou (des)evolução que o nosso sistema educativo tem vivido. 
A politica educativa dos sucessivos governos tem-se pautado por uma prática a que eu, com algum humor negro, costumo chamar de "canina". Tal, deve-se ao facto de, como os canídeos, os sucessivos ministros pretenderem - e têm-no feito - deixar a sua marca, demarcando o território como o fazem os ditos. Assim, todos têm  feito a sua "mijadela", deixando o sua assinatura nas pretensas "reformas". Só que nem sempre as marcas têm sido benéficas para a educação e, muito menos, para o futuro do país. Reformas que carecem de avaliação, para se poder aferir se resultaram ou não em mais valias para o sistema... Medidas avulsas de duvidosa utilidade que, logo que muda a cor do governo são substituídas por outras  que suscitam mais dúvidas ainda... 
Para além dos sucessivos governos há, ainda, um outro "quisto" no nosso sistema. Chama-se FENPROF.
Ao longo dos anos foi e é, uma força de bloqueio, que impediu qualquer verdadeira reforma séria neste setor. Não é que em certos momentos não tivesse razão, mas perdia-a, logo a seguir, devido às suas práticas radicais em que só a luta interessava e nada mais para além da luta. A contestação pela contestação levou os professores e a sua classe, a um nível de descrédito na sociedade portuguesa, que só serviu aqueles que eles diziam combater.
E é  neste cenário de incerteza e insegurança constante, que têm vivido as nossas escolas. Há escolas com projetos interessantíssimos, com boas práticas, com alunos e professores motivados, mas que as sucessivas "invenções" não deixam vir ao de cima estas marcas de excelência, diluindo-se no pântano de mediocridade que criaram 
Dizia alguém, há uns dias, penso que um professor que se viu obrigado a emigrar, por não ter alternativa em Portugal, que os professores portugueses, são os únicos profissionais no mundo que fazem o que o patrão manda e que a seguir são criticados pelo patrão, precisamente por terem sido obedientes.
É neste universo meio caricato, que se movimenta uma classe que tem, como todas, bons e maus profissionais, mas que vive frustrada por não a deixarem exercer as suas funções com dignidade, sendo que a principal responsabilidade disso, é de quem deveria promover as condições, para que tal sucedesse.
Esta PACC, a brilhante invenção "Cratiana" de uma prova de avaliação de conhecimentos e competências, para profissionais altamente qualificados, é o bater no fundo!... É o reconhecimento da falência do sistema de formação de professores.
Se o não é ou o ministro é autista ou passa um atestado de incompetência a todas as entidades, que estando sob a sua tutela, são responsáveis pela formação inicial de professores. 
Nem é preciso fazer mais comentários, porque a evidência é tão evidente, que choca qualquer ser minimamente inteligente.
A formação dos professores é deficiente? Então, alterem as regras, segundo as quais as universidades e os politécnicos formam os professores. Se assim não é, deixemo-nos de falácias e acabemos com esta hipocrisia, de fazer uma prova para nada, que não seja diminuir a pressão sobre o mercado de trabalho, afastando uns tantos do exercício de uma profissão para a qual estão mais que habilitados.
Já agora... 
Porque não deixam as escolas funcionar?
Apregoam a autonomia, mas nunca abrem mão do "açaime" com que têm condicionado toda a ação de quem, nas escolas, quer fazer  o melhor pelo se país, qualificando as gerações vindouras.
Se acabarem com o Ministério da Educação, penso que prestarão um  grande serviço ao país!
Assim as escolas poderão respirar e fazer aquilo para que estão vocacionadas: Ensinar.