Blogue Iniciado em 31 Julho de 2008

Trova Nossa

Este Blog pretende ser um espaço de informação sobre várias matérias relacionadas com a Música e o Som de uma forma geral, mas irá ter uma preocupação muito especial com a nossa música tradicional, por um lado, e, por outro, com as Músicas do Mundo.
Estará, como é óbvio, à disposição de todos os que queiram colaborar nesta tarefa de divulgar a a nossa música e enriquecer, com o seu contributo, este espaço que se pretende de partilha.

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terça-feira, 5 de maio de 2026

Domingo passado celebrou-se o Dia da Mãe...

Recordo a minha com imensa saudade...


 Maria Emília Florêncio Pinto - 10 de Abril de 1935 / 07 de Agosto de 1981

Foi a 10 de Abril de 1935. Nascia a última filha de Joaquim Pinto Assunção e Amélia de Jesus Florêncio.
A Maria Emília de Jesus Florêncio, completaria este ano 91 anos.
Mulher de fibra, inteligente, trabalhadora, de enorme sensibilidade e tolerância, era o pilar da minha família.
Sendo o meu pai uma pessoa mais rude, ela equilibrava, com o seu afeto e compreensão, os momentos de conflito que os filhos , como é normal, tinham com ele.
Nunca o desautorizou, mas compensava-nos com a sua ternura e sensibilidade, nunca deixando, no entanto de nos repreender.


Pertencendo a uma família numerosa, nunca deixou de receber todos da melhor maneira que podia e sabia.
Lembro-me de ouvir aos meus primos que na altura viviam em Sacavém:
- A tia Maria Emília deve ter um segredo qualquer, porque mesmo chegando de surpresa, ela arranja almoço ou jantar para dez ou quinze em três tempos.
Era uma mulher de uma enorme simpatia e eficiência. Todos os sobrinhos a adoravam!
Habituei-me, desde pequeno, a uma casa cheia de primos, pois ela atraía a todos com a sua maneira de ser. Todos se sentiam bem perto dela e ela a todos acolhia com a mesma atenção e carinho, nunca rejeitando ninguém.


Empreendedora e corajosa, era ela que empurrava o meu pai para os projetos mais arrojados.
Era o seu porto seguro, mesmo nos momentos mais difíceis e houve muitos.
Sofreu imenso com a doença que viria a vitimá-la, mas não tinha por hábito queixar-se muito. Apesar do sofrimento, que, calculo, fosse imenso, continuou a trabalhar e a contribuir grandemente para o orçamento familiar. Até que, com apenas 46 anos, deixou de sofrer em 7 de Agosto de 1981.
Avessa a conflitos, tal como seu pai, apaziguava os ânimos entre os membros da família, ocasionalmente, desavindos, tendo sempre um conselho amigo para os mais novos e, daí a predileção dos seus sobrinhos, quer diretos, quer por afinidade.
Era admirada e respeitada por todos!
Participou nos Movimentos Operários Católicos, na JOC e na LOC, organizações cívicas de referência antes do 25 de Abril.
Apesar de pouco instruída, tinha apenas a 4ª Classe, era uma pessoa extremamente culta, já que tinha herdado muitos dos conhecimentos do seu pai.
Abandonou os Lanifícios, mas dedicou-se às Malhas, sendo o pilar da micro empresa familiar que criou com o marido. Era ela o suporte logístico da empresa e o seu empreendedorismo levava-a a procurar sempre novos modelos para estar atualizada e na vanguarda da tecnologia do sector.
Lembro-me que foi ela que convenceu o meu pai a comprar uma máquina tecnologicamente avançada para fazer "Jacard" a partir de cartões picotados. Chegou a criar padrões próprios, no sentido de tornar os seus produtos mais concorrenciais.
Para além destas qualidades... era uma cozinheira, como havia poucas!
Com ela aprendi a cozinhar... a tecer... a falar... a ler... escrever.... a sentir... a pensar... mas sobretudo a amar e a ser generoso e solidário.
O que hoje sou, como pessoa, mais do que ao meu pai, devo-o a ela. O meu caráter foi moldado na sua resiliência; no fazer das fraquezas força; no privilegiar o diálogo em vez da agressividade; no elogiar, mais que o deitar abaixo; na afetividade e proximidade em vez da indiferença!!!
Estávamos sempre muito próximos! Ela costumava dizer que eu não precisava falar, porque ela adivinhava o que eu pensava e sentia...
Era assim a minha mãe! A melhor mãe do mundo!
Onde estiveres... Feliz dia da Mãe!

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Reflexões - Cabo Verde Terra Sab...


Há já alguns anos que não faço publicações aqui.

Muita coisa mudou na minha vida desde o dia 25/12/2021, data da minha última publicação.

Na altura estávamos  a sair da pandemia, o mundo estava a normalizar e a aprender de novo a socializar. Eu exercia funções de Diretor do Agrupamento de Escolas Padre Vitor Melícias, em Torres Vedras, tinha uma rotina diária que me preenchia, com inúmeras atividades, para além da escola, nomeadamente as ligadas à dinamização da AnimEsp, associação cultural a que presido ainda hoje, com toda a atividade dos projetos Ribombar, Rufinhos e Rufos e Roncos.

Entretanto... a minha vida mudou!...

Em abril/maio de 2023 comecei a equacionar aceitar novos desafios porque estava a desiludir-me com a dificuldade de gerir um agrupamento com as características  do nosso. A ousadia e inovação, tão apregoada pelos políticos, esbarra, na maior parte dos casos, no conservadorismo e burocracia das inspeções e dos serviços centrais do ME.

Orgulho-me do trabalho que realizámos, do modelo de escola que construímos, das batalhas que travámos, dos obstáculos que ultrapassámos... sempre em equipa. Uma equipa fantástica que transformou uma escola estigmatizada, numa escola prestigiada pelos projetos inclusivos e inovadores; pela valorização das artes como fator de promoção do sucesso; pela internacionalização, permitindo aos nossos alunos experiências enriquecedoras e inesquecíveis; pelas parcerias com agentes económicos locais potenciando a concretização de projetos emblemáticos.

Mas... como referi anteriormente, muito mais teria sido feito se não houvesse os travões que nos impediam de avançar com novas ideias e projetos.

Assim, quando comecei a pensar em alternativas, abriram-se várias portas. A primeira opção foi Timor.

Na altura um amigo falou-me de um projeto de promoção da língua portuguesa através da música, em Timor. Achei a ideia interessante e comecei a recolher informação sobre o assunto e estava decidido a avançar e abraçar este desafio. Foi neste pressuposto que falei com o antigo Sec. de Estado da Educação, Dr. António Leite. Desta conversa  surgiram algumas propostas de cooperação noutros PALOP's. Desde logo, S. Paulo, Bissau(escolas novas) e Mindelo, Lubango e Beira, com polos das escolas já existentes  na Cidade da Praia, Luanda e Maputo. Pelo meio, apresentei uma candidatura para lecionar Ed. Musical no Polo do Mindelo, onde sabia existir uma vaga para Ed. Musical e concorri para  os CAF's em Timor.

Recebi então uma proposta do Sec. de Estado para assumir o cargo de Subdiretor do Polo do Mindelo ou do Lubango. Aceitei sem hesitar o Polo do Mindelo, onde me encontro desde 2023.

Tem sido uma experiência incrível!...

As gentes do Mindelo, S. Vicente, são muito hospitaleiras e simpáticas! Sinto-me verdadeiramente em casa!

      
           

Sendo esta a ilha da música, eu estou na minha zona de conforto, tendo em conta a minha paixão pela música. O convívio com os músicos de Cabo Verde tem sido muito enriquecedor. Tenho aprendido imenso! Tenho cantado e tocado nos mais diversos lugares, sentindo-me já um verdadeiro embaixador da música portuguesa em Cabo Verde!

Em Cabo Verde aprendi a ver a vida de uma outra forma. Esta gente vive feliz com muito pouco! Há carências? sim. Mas as pessoas não deixam de se divertir e de festejar. Exemplo desta vida mais descontraída, sem correria é o facto de a quinta-feira ser chamada a sextinha, porque à sexta-feira eles dizem: Sextou... festou!  E, na realidade, na sexta-feira qualquer lugar tem música ao vivo no final do dia. As Mornas, as Coladeras ou Koladeras, o Funaná, o Cola San Jon, o ritmo Mandinga, o Samba do Carnaval do Mindelo, diferente do Samba do Brasil, ecoam nas noites do Mindelo de segunda a sexta, nos lugares de culto, mas de quinta a sábado a noite do Mindelo é mais animada.

Aqui chegado, rapidamente me integrei nesta onda de festa, pois em Portugal há muito que dinamizava e animava tertúlias musicais com os meus amigos. Conheço e convivo com a maioria dos músicos da ilha e quando visito outras ilhas também faço questão de conhecer os músicos locais e, se possível tocar e cantar com eles.

Tem sido muito gratificante viver intensamente esta minha experiência africana!

Prometo intensificar a minha atividade neste meu blog, partilhando com os meus seguidores os melhores momentos vividos nesta ilha da MORABEZA!


sábado, 25 de dezembro de 2021

O Bacalhau da minha Consoada de 2021...

 O bacalhau da minha consoada...

 

Desta vez decidi fugir ao habitual bacalhau cozido com batata e couve.
Os ingredientes estão  lá, mas 2021 foi altura de inovar. Partilho então  com os meus amigos os passos desta aventura na cozinha.
Ingredientes:
Batata miúda assada com casca 
Cebola de Touvedo
Couve Portuguesa  biológica, de Loriga
Cachaço  de Bacalhau
Broa de Loriga
Azeite do Alentejo
Preparação:
Depois da assadas as batatas cortam-se às  rodelas, rega-se o fundo da travessa de ir ao forno com azeite e espalham-se de forma a cobrir toda a superfície. As couves, depois de cozidas, cortam-se em tirinhas, salteiam-se com um pouco de azeite e alho e colocam-se na travessa por cima das batatas. O bacalhau depois de cozido é desfiado e salteado com cebola. Depois coloca-se na travessa da mesma forma que as camadas anteriores. Por fim, espalha-se a broa e rega-se com azeite.
Para dar uma nota mais artística à travessa, cortei dois ovos cozidos às rodelas e espalhei por cima da broa e ralei um pouco de cenoura para colorir a superfície.
Et Voilá!!!
Documentei cada passo com fotos que aqui partilho:



 










Para sobremesa soube muito bem o Cheesecake da Mónica Silva.












segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Coleção/Exposição "Bombos Com Arte"

Há cerca de cinco anos numa das aulas de Cordofones que leciono na AUTITV - Universidade da Terceira Idade de Torres Vedras surgiu a ideia de  uma das minhas alunas, Edite Melo, pintora conceituada, pintar um bombo que eu tinha construído. Isto no seguimento de uma conversa sobre a exposição 70 Cavaquinhos - 70 Artistas. Também a Helena Pina, outra das minhas alunas se ofereceu para pintar um bombo se eu lhe fornecesse o dito.

Construí os dois bombos e, logo ali me surgiu a ideia de convidar mais pessoas amigas, que eu sabia que pintavam ou tinham pelo menos esse gosto, para dar corpo à ideia que acabara de nascer. Fazer uma Coleção/Exposição de bombos pintados ou decorados a que iria chamar "Bombos Com Arte".

Os amigos foram aparecendo e os bombos também e assim foi surgindo a coleção que agora está pronta para ser exposta. Em suma, temos 18 Bombos - 18 Artistas

Salienta-se a forte presença de artistas loriguenses: António Matias, José Mendes, Otília Rodrigues, Fernanda Dias, Vanda Oliveira, Lurdes Moura Pinto e Joaquim Pinto Gonçalves. Por outro lado, a Lourdes Silva e o Armindo Reis têm referências a Loriga nos seus bombos.

Para finalizar a Coleção, pedi de novo à Edite Melo para pintar, desta vez um tambor Xamânico  que pelo facto de se poder pendurar, poderia levar o nome da Exposição. Ela acabou por pintar toda a pele e colocou o nome da Exposição numa tela. Ganhou-se assim mais uma obra de arte para esta Coleção/Exposição.

Brevemente será exposta num espaço em Torres Vedras que virá a ser a sede da AnimEsp - Associação Cultural. Depois poderá viajar pelo país pelas localidades que tenham grupos de bombos e queiram mostrar uma outra arte concretizada com este instrumento que estaria destinado a uma arte diferente.

Apresentamos os Bombos e os Autores:

Bombo nº 1 - Edite Melo

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Bombo nº 2 - Helena Pina

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Bombo nº 3 - Helena Felgueiras

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Bombo nº 4 - Lourdes Silva

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Bombo nº 5 - António Matias

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Bombo nº 6 - José Mendes

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Bombo nº 7 - Célia Duarte

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Bombo nº 8 - Ana Temudo

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Bombo nº 9 - Ana Maria Monteiro

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Bombo nº 10 - Joana Monteiro

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Bombo nº 11 - Armindo Reis

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Bombo nº 12 - Domingos Broa

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Bombo nº 13 - Otília Rodrigues

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Bombo nº 14 - Fernanda Dias

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Bombo nº 15 - Vanda Oliveira

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Bombo nº 16 - Lurdes Moura Pinto

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Bombo nº 17 - Manuela Lores

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Bombo nº 18 - Pinto Gonçalves

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segunda-feira, 8 de novembro de 2021

O Povo Que Ainda Canta Episódio 21 - Páscoa em Loriga

Nunca é demais recordar as coisas que nos marcam! 
Esta recordação é um marco para Loriga e para a divulgação das suas tradições musicais.



Em Abril de 2015, mais concretamente entre 2  e 5 de abril, desloquei-me a Loriga com o Tiago Pereira e a Telma Morna, posteriormente com o apoio da Cláudia Faro Santos, para gravar alguns videos da Ementa das Almas, mais concretamente dos Martírios, que ocorriam na Sexta Feira Santa, dia 3, para o Projeto: A Música Portuguesa A Gostar Dela Própria. O material gravado foi tão apreciado e, por se tratar de Música Religiosa Popular, o Tiago sugeriu que uma parte das gravações poderiam integrar um episódio do Programa: O Povo Que Ainda Canta. 
E assim surgiu o Episódio 21 - Páscoa em Loriga que pode ser visto no link que publicamos e que pode ser visto a todo o tempo  em: https://www.rtp.pt/play/p1687/e198007/o-povo-que-ainda-canta
depois é só procurar o episódio 21 quer na versão Rádio, quer na versão televisão


Salientamos que este é o único episódio dedicado a uma localidade. Todos os outros são dedicados a uma região. Alvoco da Serra, a freguesia vizinha de Loriga, é também contemplada com algumas gravações, muito por causa das diferenças de rituais religiosos na mesma quadra, mas que marcam a identidade de cada comunidade.