Blogue Iniciado em 31 Julho de 2008

Trova Nossa

Este Blog pretende ser um espaço de informação sobre várias matérias relacionadas com a Música e o Som de uma forma geral, mas irá ter uma preocupação muito especial com a nossa música tradicional, por um lado, e, por outro, com as Músicas do Mundo.
Estará, como é óbvio, à disposição de todos os que queiram colaborar nesta tarefa de divulgar a a nossa música e enriquecer, com o seu contributo, este espaço que se pretende de partilha.

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domingo, 22 de dezembro de 2013

Grupo Coral Juvenil ARCO-ÍRIS, o meu mais recente projeto



No presente ano letivo a minha escola viu-se privada de um conjunto de professores que, por via das novas regras de recrutamento, das alterações curriculares e do desinvestimento deste governo na Escola Pública, mesmo pertencendo aos quadros, foram obrigados a submeter-se a concurso e, por via disso, colocados noutras escolas.
Alguns deles desenvolviam projetos na área das expressões e, devido ao seu afastamento da escola, esses projetos, acabaram também, privando uma série de alunos da prática dessas atividades.
Assim, apesar de o meu horário já estar algo sobrecarregado, não quis deixar de dar resposta aos alunos que pertenciam a esses projetos, tendo criado o Grupo Coral Juvenil ARCO-ÍRIS, onde se inscreveram os alunos que gostam de cantar. 
Estamos ainda na fase de criação de repertório, mas já fizemos a nossa estreia na Gala da Entrega dos Diplomas de Mérito, que ocorreu, no passado dia 29 de novembro. 
O grupo interpretou aí três temas apenas, mas tem trabalhado arduamente na preparação de um concerto de Natal/Ano Novo, que terá lugar durante o mês de janeiro.
Nesse concerto, participarão, também dois outros projetos de que sou responsável: o ComCordas - Grupo de Cavaquinhos de Torres Vedras e o Rufos & Roncos - Gaitas e Percussão.
Oportunamente aqui darei notícia desse evento.


A nossa primeira atuação...


Foi apadrinhada pelo patrono da nossa escola, o Sr. Pe. Vitor Melícias.

sábado, 14 de dezembro de 2013

A Aldeia Natal onde não há Pai Natal, por Célia Gonçalves...


Não resisto, neste Natal a publicar o excelente texto da Dra. Célia Gonçalves, Técnica da C. M. de Seia, publicado na Revista Fugas, do Jornal PÚBLICO, sobre a aldeia do momento: Cabeça, Aldeia Natal.
Vale a pena ler e seguir os bons conselhos do texto e visitar Cabeça e a Serra da Estrela, neste Natal.

Clique no link para ler o texto

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Tradições de Loriga - O Jogo do Óculo...


 canela com fio

A tradição industrial de Loriga remonta a meados do Séc. XIX, quando em 1850  aí se instalou a primeira fábrica de Lanifícios, movida a força hidráulica motriz.
As grandes rodas, movidas pela força das águas que desciam das altas serranias da Estrela, acionavam os engenhos que, com grandes correias e uma cadeia de outras rodas, movimentavam toda uma sorte de mecanismos, desde a fiação à tecelagem, da cardação à ultimação, num constante e ruidoso vai-vem, a que as gentes de Loriga se foram adaptando, com o decorrer dos anos.
Terra laboriosa e empreendedora, foi construindo, ao longo do tempo uma comunidade cada vez mais numerosa e, consequentemente, o número de crianças foi gradualmente aumentando, atingindo nos anos 60 do Séc. XX o auge de crescimento, com a Escola Primária a rebentar pelas costuras, com 4 turmas de rapazes e igual número de raparigas. Nenhuma terra da região, excluindo, talvez, a sede do Concelho, teria tantas crianças como Loriga.
As crianças davam um colorido muito especial e um movimento inusitado às suas ruas e vielas e as brincadeiras, tradicionais, recriadas ou mesmo inventadas eram a ocupação preferencial da “pirralhada”.
De entre as muitas atividades lúdicas que, na altura, sobressaíam nas ruas da vila, havia uma que, intimamente ligada aos lanifícios, dependia, em absoluto, dessa atividade industrial. Era o Jogo do Óculo.
Como a necessidade aguça o engenho, a criatividade das crianças levou-as a inventar este jogo, que fazia a síntese de vários outros. Tinha algumas semelhanças com o “chinquilho ou malha”, pois tal como nesse jogo havia um lançamento de um disco, embora muito mais pequeno, o óculo.
Havia também alguma similitude com o berlinde, uma vez que o objetivo era “abafar” o óculo do adversário através da aproximação ao mesmo, à distancia de um palmo.
Este era, no entanto, um jogo muito original e que fazia uso da matéria prima que abundava nas “lãzeiras”, locais onde eram depositados os resíduos industriais, à época.
Antes de mais convém explicar o que é o óculo. Trata-se da base da canela de madeira que era usada nas lançadeiras dos teares. Um disco metálico com um orifício no meio que reforçava a base das canelas, para as proteger quer nas caneleiras, máquinas onde se enchiam as canelas de fio, quer nas lançadeiras que com o seu vai-vem, nos teares iam tecendo as peças de fazenda.

Lançadeiras e canela

Quando as canelas estavam danificadas eram, normalmente, inutilizadas e  depositadas nas “lazeiras”. Era lá que as crianças as recolhiam e tratavam de as despojar dos óculos.
Havia dois tipos de óculos, cujo valor relativo era diferente. É que para além de serem ganhos ao jogo, podiam, também, ser objeto de troca entre as crianças que se dedicavam a este “desporto”.
Assim, os óculos de latão eram os menos valiosos. Na troca valiam um para um. Já os de alumínio, por serem mais pesados e, por isso,  darem alguma vantagem no jogo, valiam três e às vezes quatro dos outros. Algumas das crianças até atribuíam a estes óculos o nome de “bonzura” porque, pelo seu peso e pela diferença de atrito, eram muito bons no arremesso e na maior capacidade de controle e de precisão dos seus movimentos de aproximação aos óculos dos adversários.
O objectivo deste jogo era ganhar os óculos aos adversários. Poderia ser jogado por dois ou mais jogadores.
O jogador ganhava um óculo ao seu adversário quando, ao arremessar o seu, o mesmo ficasse à distância de um palmo ou menos de um palmo, do óculo do seu adversário.

Uma das variantes do jogo é que o mesmo poderia ser jogado com a utilização de uma parede.
Quando jogado sem a utilização de uma parede, era sorteado quem seria o primeiro a arremessar o seu óculo. Este dirigia o disco para um local aleat omo primeiro tendo a finalidade de se aproximarem do mesmoto bons no arremesso e na maior capacidade de controleoriamente à sua escolha.
Os concorrentes seguintes lançavam os seus discos na direção do primeiro, com a  finalidade de se aproximarem do mesmo.
Ganhava aquele que, ao lançar o seu óculo, conseguisse colocá-lo à distância de um palmo, ou menos, do óculo de outro participante. O jogo terminava, sempre que um jogador conseguisse arrebatar os óculos dos outros que estivessem em jogo
Sempre que o jogo recomeçava, quem iniciava os lançamentos era o vencedor do jogo anterior.

Na variante do jogo com a utilização de uma parede, procedia-se, igualmente, à escolha do primeiro concorrente a jogar. Este, colocava-se de frente para  uma parede contra a qual atirava o seu óculo, tentando colocá-lo o mais longe possível da parede, para não dar vantage aos adversarios. Esta variante tinha algumas particularidades que tornavam o jogo um pouco mais elaborado. Os jogadores poderiam utilizar os pés para permitirem uma aproximação mais precisa aos óculos dos adversaries. Para tal colocavam os pés em forma de V, no local onde estava o óculo que pretendiam arrebatar e  arremessando o seu contra a parede ele poderia, mais facilmente aproximar-se pois tinha a barreira formada pelos pés que não deixava o óculo afastar-se desse local.
Como na variante anterior, ganhava o jogo o jogador que conseguisse arrebatar os óculos dos adversarios.
Uma das particularidades mais interessantes desta atividade lúdica era a forma como os óculos eram guardados. Assim, cada participante, arranjava um cordão, um “baraço” como na altura se denominava e os óculos eram enfiados nesse baraço, que era normalmente pendurado à cintura. Como as duas pontas eram atadas, uma na outra, o conjunto dos óculos enfiados no baraço assumia uma forma de chouriça e por isso lhe davamos o nome de “Chouriça de Óculos”.
A grande glória dos jogadores era exibirem as suas “Chouriça de Óculos” e quanto maior fosse o número de chouriças, maior glória era alcançada. Eram exibidas como se de autênticos troféus se tratassem.

domingo, 8 de setembro de 2013

"Costumes"... Sabores, Cultura e tradição... Projeto inovador a abrir brevemente em Leiria



Carla Paulino, Gestora, responsável pela Destino Lider é a mentora deste projeto que não é apenas um restaurante, mas um espaço onde a Cultura e as Tradições Portuguesas vão ter presença constante.
Um espaço a merecer a visita de todos os amantes da boa gastronomia portuguesa, rica e variada, pois as várias regiões poderão ali ser representadas em tempos e momentos diferenciados.

Partilhamos aqui a notícia do Diário de Leiria:



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Cancioneiro da Vila de Loriga... Uma obra de referência na divulgação da nossa tradição oral.

Decorreu hoje, dia 2 de Agosto, no Salão Paroquial de Loriga, que se encheu de gente interessada expectante, a cerimónia de apresentação e  o lançamento do Cancioneiro da Vila de Loriga. Esta cerimónia, contou com a presença da Sra Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Seia e do Sr Presidente da Junta de Feeguesia de Loriga, para além dos autores, António Luis de Brito e Sérgio Brito e do Presidente da Diração da ANALOR, José Mendes



O Cancioneiro da Vila de Loriga, com 263 páginas, mostra-nos 173 cantigas  e cânticos, recolhidos através da tradição oral, na vila de Loriga.
Os autores, António Luís de Brito e seu filho, Pof.  Sérgio Brito, ambos com provas dadas, em muitos anos de atividade musical, compilaram estas cantigas, escrevendo-as, na sua forma mais genuína, tal como foram transmitidas pelas suas fontes. Essas fontes, pessoas que guardam no mais recôndito das suas memórias as cantigas que lhes foram transmitidas pelos seus pais, como são os casos dos meus tios, António Luis Amaro e Maria Irene Gonçalves, ambos na casa dos 80 anos, tal como Adélia Alves de Jesus (Mourita)  e o Fernando Alves Pereira (Requinta). 
As recolhas de António Ascensão, que alimentaram os grupos de música tradicional, Amanhã, Novo Horizonte, Malhapão, Eira da Pedra... foram também outra das fontes.
O Enquadramento Histórico é da autoria do Dr. Augusto Moura Brito, loriguense, com créditos firmados nessa área e o prefácio, da autoria do Doutor António Duarte Amaro, que traça o perfil sociológico de Loriga, campo das recolhas, aqui compiladas.
A capa é da autoria do Dr. José Gonçalves Mendes.
O Enquadramento Etnográfico e a Contextualização das Recolhas, é o contributo que demos para esta obra, tendo também contribuido com a recolha e interpretação de algumas das cantigas.
Partilhamos aqui o texto do Enquadramento Etnográfico, para quem estiver interessado em antecipar um pouco ou "levantar a ponta do véu", abrindo o apetite para a aquisição da obra.

Para consultar o documento  clique  em cima do nome: