Blogue Iniciado em 31 Julho de 2008

Trova Nossa

Este Blog pretende ser um espaço de informação sobre várias matérias relacionadas com a Música e o Som de uma forma geral, mas irá ter uma preocupação muito especial com a nossa música tradicional, por um lado, e, por outro, com as Músicas do Mundo.
Estará, como é óbvio, à disposição de todos os que queiram colaborar nesta tarefa de divulgar a a nossa música e enriquecer, com o seu contributo, este espaço que se pretende de partilha.

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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Instrumentos Tradicionais - Tréculas

As TRÉCULAS (tradicionalmente feitas de madeiras rijas) aparecem como instrumento de percussão em ambientes festivos e romarias. Dão um colorido muito bonito à música, de parceria com outros instrumentos, como o BOMBO ou os CHINCALHOS. As TRÉCULAS tomam outros nomes, dependendo da região onde são construídas. Em Barcelos, chamam-lhe TABUINHAS. Com os dedos polegares enfiados nos lacetes, abre e fecha as palmas da mão, para que as extremidades batam ao ritmo da música.
Tréculas: Idiofone composto por dez ou mais tábuas rectangulares de madeira, enfiadas e ligadas por um cordel, com duas pegas nas extremidades. Quando se manipula o instrumento com ambas as mãos, as pequenas tábuas batem umas nas outras produzindo o seu som característico. As tréculas são usadas no Minho nas festividades devocionais da Semana Santa (semana anterior ao dia de Páscoa).

Reco-Reco ou Reque-Reque

Reco-Reco ou Reque-Reque, instrumento popular minhoto de uma grande simplicidade, consiste num pau (ou cana) denteado, com cerca de 70 cm de comprimento, sobre o que se fricciona, no ritmo desejado, outro pau, ou cana rachada. Por vezes, representam figuras humanas ou de animais, geralmente burlescas, e são caprichosamente pintados, segundo a fantasia do seu construtor
Não estão muito difundidos, aparecendo apenas em rusgas, grupos festivos e nos cantares das "Janeiras".É um instrumento apenas rítmico. Reque-Reque é um instrumento característico da região do Minho.
Reco-reco é um termo genérico dos instrumentos idiófonos que produzem som por atrito. A forma mais comum é constituída de um gomo de bambu ou uma pequena ripa de madeira com talhos transversais. A fricção de um pauzinho sobre os talhos produz um som de raspagem. Também chamado de raspador, caracaxá ou querequexé. Outra modalidade é o amelê baiano, constituído de uma pequena caixa de madeira com uma mola de aço estendida; a mola é friccionada por tampinhas de garrafa enfiadas em uma vareta de ferro.
Idiofone tradicional com formas muito variadas, pertence à família dos idiofones de raspagem. Uma vara de madeira mais fina raspa a parte que tem saliências, produzindo-se um timbre característico. Há reco-recos de plástico, madeira, de metal e mistos

Instrumentos Tradicionais - Sarronca

A Sarronca é um membranofone de fricção composto de um reservatório, geralmente uma bilha, que serve de caixa de ressonância, cuja boca é tapada com uma pele esticada que vibra quando se fricciona um pequeno pau ou cana preso por uma das pontas no seu centro
Membranofone tradicional e rudimentar, é constituído por um cântaro de barro que funciona como caixa de ressonância, uma pele que tapa a boca do vaso e um pau fino que trespassa a pele e, ao friccioná-la produz um som grave.
Na região de Elvas ainda encontramos a "Sarronca" ou "Zabomba", instrumento de som, utilizado para as músicas da época natalícia. Nesta região, as olarias fabricam para essas festividades, vasilhas especiais de diferentes tamanhos. Este instrumento é usado também nas localidades de Campo Maior e Barrancos.

A SARRONCA é conhecida por muitos nomes dependendo da zona onde é fabricada. RONCADEIRA, ZAMBURRA, ZURRA-BURROS ou simplesmente RONCA nome porque é conhecida na zona de Elvas. É um instrumento tocado para o acompanhamento de canções de Natal ou das Janeiras.

Instrumentos Tradicionais - Viola Braguesa

A Viola Braguesa é um cordofone popular, da família da Guitarra clássica, proveniente de Braga, estando documentada desde o séc. XVII. A Braguesa é muito utilizada no noroeste de Portugal, principalmente em ambientes festivos populares como rusgas, chulas, ranchos e desafios. O Museu dos Cordofones possui um grande espolio e documentação sobre a Viola Braguesa

A Braguesa possui dois tamanhos, o grande e o pequeno. O pequeno, utilizado principalmente a solo, possui 77cm de comprimento, 25cm de largura e 42cm da pestana ao cavalete. O tamanho grande, utilizado em conjunto com outros instrumentos musicais, tem um metro de comprimento, 37.5cm de largura e 65cm da pestana ao cavalete.
A abertura no corpo é circular, por vezes também em forma de boca de Raia. Possui cinco cordas duplas, tradicionalmente em aço fino, e dez cravelhas na pestana. A Braguesa é construída em madeira, pinho de Flandres à frente e nogueira nas costas e ilhargas, as faces estão dividida em duas pranchas, que estão unidas simetricamente pelos veios. Tradicionalmente a madeira do braço é em plátano, sendo também utilizada a tília ou o amieiro. O pau-preto é utilizado na escala. São ainda pintados ordenamentos a preto em torno do cavalete.
A afinação típica da Braguesa é a chamada moda velha, pois é tradicionalmente acompanhada pela braguinha. No entanto, a Braguesa pode ser afinada de várias maneiras, para um melhor enquadramento com os restantes instrumentos

Instrumentos Tradicionais - Ocarina

A Ocarina é um aerofone.
A ocarina é um instrumento de sopro globular feito de porcelana, terracota ou pedra, semelhante a uma flauta. É um dos instrumentos musicais mais antigos do mundo. Possui normalmente a forma oval tendo de quatro a treze buracos para os dedos, porém há algumas variações nesse desenho. Um tubo projecta-se de seu corpo servindo de bocal. Normalmente é feito de material cerâmico mas também podem ser usados outros materiais como plástico, madeira, vidro ou metal.
A Ocarina é de uma família muito antiga de instrumentos, acredita-se ser de há uns 12 000 anos atrás. Os instrumentos do tipo da ocarina foram de importância particular nas culturas chinesa e centro-americana (onde são frequentemente feitos na forma de animais, geralmente pássaros, tartarugas, de entre outros animais sagrados para aqueles povos).
A palavra, italiana, significa literalmente "pequeno ganso" . Trata-se de um instrumento de cerâmica da família das flautas globulares, geralmente ovais, com orifícios e embocadura.

Instrumentos Tradicionais - Guitarra Portuguesa


A Guitarra Portuguesa é de origem remota, tendo por base a cítara renascentista e o alaúde árabe. Alguns pretendem que tenha origem na chamada guitarra inglesa, que contudo, pura e simplesmente nunca existiu. De facto o termo refere-se a um padrão de qualidade. Durante algum tempo os melhores instrumentos do tipo eram os fabricados em Inglaterra. Na realidade a Inglaterra não tem, de outra forma, grande tradição no desenvolvimento deste tipo de instrumentos.
A Guitarra Portuguesa pertence à família de cordofones conhecida por cistres. Tem seis cordas duplas de aço esticadas sobre um cavalete móvel de osso. Embora normalmente associada com o Fado, existem compositores e executantes que vêem a guitarra portuguesa como um verdadeiro instrumento solista.
Há dois tipos fundamentais de guitarra portuguesa: um de Lisboa, o outro de Coimbra. As suas diferenças incluem o tamanho do corpo e escala, e também a tonalidade. A afinação mais comum da guitarra de Lisboa, também conhecida por banza, é do grave para o agudo - dD, aA, bB, ee, bb, aa, sendo os pares mais graves afinados em oitavas. O instrumento de Coimbra usa a mesma afinação mas um tom abaixo.
Gonçalo Paredes e Flávio Rodrigues, entre outros, foram os compositores mais respeitados dentro do estilo tradicional. Posteriormente Artur Paredes surgiu com a sua interpretação pessoal do instrumento beneficiando a sua acústica de diversas formas. Trabalhando com a família de construtores Grácio, de Coimbra, Paredes trouxe o instrumento para a era moderna, onde ele se mantém hoje, como perfeitamente actual.
Carlos Paredes, filho de Artur Paredes, criou novas melodias e tornou a Guitarra Portuguesa num instrumento de concerto.

Instrumentos Tradicionais - Gaita de Foles

A gaita-de-fole (também gaita de foles, cornamusa, museta, musette ou simplesmente gaita) é um instrumento da família dos aerofones, composto de pelo menos um tubo melódico (chamado ponteiro ou cantadeira, pelo qual se digita a música) e dum insuflador mediado por uma válvula (chamado soprete ou assoprador), ambos ligados a um reservatório de ar (chamado fole ou bolsa); na maioria dos casos, há pelo menos mais um tubo melódico, pelo qual se emite uma nota pedal constante em harmonia com o tubo melódico (chamado bordão ou ronco). É um instrumento modal, na maioria das vezes jônio (modo de dó), apesar de haver modelos em modos mixolídio (modo de si) e eólio (modo de lá), para além de possíveis outros.
A cantadeira possui a peculiar configuração de ser construída baseada numa nota (chamada tonal, geralmente soada com todos os furos fechados), e afinada noutra (chamada sensível, geralmente a primeira nota aberta), a qual rege a afinação da nota pedal soada pelo bordão (geralmente uma oitava abaixo da nota sensível da cantadeira). As possíveis afinações variam de gaita para gaita, geralmente em dó, ré, sol, lá, si ou si bemol.

Outra peculiaridade das gaitas-de-fole é por integrarem o restrito grupo de instrumentos de ar os quais tocam continuamente, de forma mecânica, sem necessidade de pausa para o músico respirar.

Instrumentos Tradicionais - Flauta Travessa

Existem dois tipos de flautas: flauta de bisel de corpo cilíndrico ou ligeiramente cónico e com três furos; a flauta travessa geralmente feita de cana na faixa ocidental do país no Minho, Estremadura e Algarve, e de sabugueiro no interior, nomeadamente na Beira Baixa. Tem seis furos além do insuflador.


Em certas regiões serranas aparece com frequência, em mãos de pastores, a flauta travessa.
Como as flautas de bisel, as flautas travessas são na sua maioria lisas: mas encontram-se também, não raro, exemplares decorados, por vezes profusamente.

Flauta travessa é feita de cana brava com um furo de embocadura e seis perfurações digitais (feitas com fogo). A parte fechada coincide com um nó da cana.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Batuques do Brasil

No Brasil, como em todas as culturas musicais de raíz Africana, impera a percussão e o ritmo.
Aqui fica um documento com, imagem e descrição dos principais instrumentos utilizados pelos batuqueiros do Brasil.

Batuques Do Brasil

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ementa das Almas em Loriga

A tradição da Ementa das Almas em Loriga, remonta, de acordo com o estudo por nós efectuado, aos tempos do Canto Gregoriano, por volta dos Séculos IX e X.
No âmbito da Licenciatura em Ensino, Variante de Educação Musical, como Memória Final, realizámos um trabalho de investigação sobre este tema. É esse trabalho que aqui disponibilizamos para ser lido por todos os interessados.Aos interessados, aqui se apresenta uma síntese desse estudo, bem como os ficheiros audio dos cantos que suportam essa tradição.
A gravação foi efectuado por Michel Giacometi, que passou por Loriga e trabalhou com António Ascensão nessa recolha. Giacometi tabalhava, na altura, na recolha de espécimes para a sua "Antologia da Música Religiosa Popular Portuguesa".
Em contacto posterior escreveu a António Ascensão, dizendo que os espécimes recolhidos em Loriga eram, sem dúvida, dos mais interessantes que havia recolhido pelo país, pois, no capítulo das Encomendações das Almas, não havia nada que se lhe comparasse.



A gravação referida, foi enviada por Giacometi a António Ascensão e contou com as vozes de dois dos "teimosos" que tudo fizeram para não deixar morrer esta tradição, no período conturbado do pós 25 de Abril. Trata-se de José Fernandes (Aleixo) e Fernando Gonçalves (meu pai), infelizmente já desaparecidos, mas que souberam transmitir a paixão por este ritual secular a outros "teimosos" das novas gerações.
Os Cânticos principais deste ritual, que aqui podemos ouvir, digitalizados por mim, a partir da gravação referida, são:


O Cântico da Ementa das Almas


O Cântico dos Martírios de Nosso Senhor Jesus Cristo


Martírios by user7256155

O Cântico dos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo


Passos de Nosso Senhor by user7256155

O Cântico da Mãe Dolorosa


Mãe Dolorosa by user7256155

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Também poderão ver estes dois videos, mais recentes, onde se pode confirmar a forma de execução deste ritual. De madrugada, quase sempre com frio, já que a Quaresma ocorre, normalmente no Inverno.

Uma parte individual com diálogo entre intervenientes colocados nos pontos altos da vila.

Uma segunda parte, colectiva, com paragens em vários locais, estrtégicos, da vila.








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