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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Loriga Vila Luistana - De "dentro" para "fora"... O Balanço que se impõe.

No passado dia 19, teve lugar em Loriga, uma sessão de apresentação de contas e respetivo balanço, di evento, Loriga Vila Lusitana. Com o Salão Paroquial praticamente lotado, a Comissão Organizadora do evento prestou contas perante a população de Loriga. Afinal de contas, este evento nasceu com o grande objetivo de envolver os loriguenses e as suas associações e esse desiderato foi conseguido.
Há uma quase unanimidade de opiniões que nos impelem a continuar, uma vez que, de acordo com a grande maioria, há muito não se via uma realização de tamanha grandeza e interesse na nossa vila.
Enquanto mentor deste projeto, não quis deixar de fazer o meu balanço e, fiz questão de o partilhar, em primeira mão, com todos quantos estiveram na sessão referida.
Assim, partilho aqui, com todos os que queiram dar-se ao trabalho de ler, o texto do meu balanço do evento:

Há alguns anos - uns nove ou dez - questionei-me sobre a importância de alguns eventos conhecidos, na economia das localidades e regiões que os realizam e pensei se não seria interessante, Loriga e a região produzirem um evento, marcante, que pudesse gerar não só algumas receitas, mas, sobretudo, alavancar alguns pequenos negócios que poderiam prosperar à volta dessas realizações.
Desde logo, sendo a minha área de trabalho a música, pensei num festival. Mas não poderia ser um festival qualquer. Não podia ser um festival de massas, com grandes patrocinadores e multidões envolvidas. Loriga, não teria estrutura para aguentar uma realização desse tipo. No entanto, também não poderia ser uma coisa com uma dimensão tão reduzida que passasse despercebida, pois, nesse caso, não cumpriria o grande objetivo que estava traçado.


Começou, então, um período de estudo e investigação sobre o modelo, o tema, o enquadramento, o contexto, em que poderia ocorrer um evento deste género.
Pensando na História e na Geografia da nossa região, desde logo, a primeira inclinação foi para o período áureo da resistência dos Lusitanos contra os Romanos. Este tinha sido um capítulo que me apaixonou quando estudei, ainda criança, na História de Portugal, a saga de Viriato, o herói Lusitano, cantado por Camões.
Assim, a partir desse momento, comecei a ler tudo o que havia sobre este tema e a encontrar uma ligação musical que pudesse consubstanciar um festival.  O nome, foi das primeiras coisas que me surgiram, de forma muito expontânea, mantendo-se, até hoje, inalterado: Lusitânia Folk.
Comecei a acompanhar muito mais de perto todos os festivais da chamada Música Celta, tendo uma ligação muito especial e próxima, com um dos mais importantes que se realizam em Portugal, o Folk Celta de Ponte da Barca.  
Pelo meio, as 7 Maravilhas e a nomeação da Praia Fluvial de Loriga, a Comemoração do Foral, a ligação dos meus grupos musicais a Loriga, as colaborações com a ANALOR, com a Confraria da Broa e do Bolo Negro e com algumas comissões de festas de Loriga, bem como o estabelecimento de algumas relações com gente de gerações mais novas de Loriga, foram potenciando e alimentando este projeto que, não tendo data marcada, iria, forçosamente, realizar-se um dia.
Sem pressa, fui acumulando informação sobre os Celtas, a sua cultura, a sua mitologia, os seus rituais... A ideia, agora não era apenas um Festival, mas uma coisa mais vasta. Um evento que fosse marcante para Loriga e que fizesse reviver a memória dos nossos antepassados Lusitanos.
Tendo em conta a propensão atual para a realização de eventos com reconstituições históricas de várias épocas, com destaque para o período medieval, fazia sentido nós criarmos uma Feira Lusitana, reconstituindo episódios históricos desse tempo e era vivando rituais da cultura Celta/Lusitana.
Foi este o espírito do projeto que apresentámos ao Orçamento Participativo.
Em finais de setembro de 2016 sou desafiado pelo Adriano Lopes para avançar com o projeto que tinha na gaveta, do Festival Lusitânia Folk e da Feira Lusitana.
Achei que, como diz o povo, Deus escreve direito por linhas tortas... Este era um sinal de que, afinal, era possível mudar alguma coisa.
Reformulei o projeto inicial, para o redimensionar, uma vez que o OP apenas contemplava uma verba de 10 000€.
A partir daí, comprometi-me a 200% com este desígnio, salvaguardando sempre a necessidade de mobilizar Loriga, de unir Loriga, em torno de uma ideia comum, de que os grandes feitos são coletivos e não individuais. A partir desse momento, o projeto deixou de ser meu para ser de Loriga. E esse foi o segredo do nosso sucesso!... A equipa que, entretanto se criou, à volta desta realização foi inexcedível.


Devo destacar a liderança serena e tolerante do Adriano Lopes, mas também a capacidade engenhosa do Márcio Silva, que, entretanto, por razões profissionais se ausentou do país.  No entanto, o Luis Costa, o Luis Figueiredo e a Filipa Pereira assumiram a liderança da vasta equipa que levou a cabo a construção da "menina dos olhos" deste evento: A Casa de Viriato.




A Rita Gonçalves que assumiu juntamente com a Lurdes Ramalho a liderança do processo da confecção dos fatos, só possível porque um conjunto de voluntárias entrando no espírito do coletivo realizaram essa tarefa.
A Sílvia Pereira que ao longo do tempo, para além da sua colaboração com a equipa de construção, assegurou um conjunto de tarefas de apoio logístico sem as quais não teria sido possível realizar um sem número de iniciativas.
A Daniela Florêncio, responsável pela imagem, sem esquecer a colaboração do Luis Figueiredo e do Márcio Silva também nesta área.
O Gonçalo Cabral responsável pela comunicação multimedia, nomeadamente a construção do sitio da internet.
O José Francisco Romano, que ao longo do tempo foi um esteio do grupo pelas suas intervenções ponderadas, trazendo um contributo, de experiência feito, a um colectivo bastante jovem e cuja colaboração, culminou na confecção do magnífico almoço da Boda de Viriato.
O Jorge Alves, que sendo, também um dos mais experientes deste grupo, fez um excelente trabalho, em conjunto com a Sílvia, ao dar corpo, com um magnífico grupo de jovens, aos Rituais que encheram o olho a todos quantos assistiram ao desenrolar dos mesmos, ao longo do evento.
Um destaque para o Zé Mendes que escreveu e encenou O Casamento de Viriato, uma peça em dois atos, representada por loriguenses reunidos e organizados através da ANALOR - Associação dos Naturais e Amigos de Loriga.


O Cartaz do Festival Lusitânia Folk, contemplou três propostas diferentes dentro da música de raíz Celta. No primeiro dia, os "Roncos do Diabo", deram-nos a perspetiva mais tradicional portuguesa. No segundo, o "Anxo Lorenzo Trio", apresentou-nos a vertente Galaico-Irlandesa e no último dia, os "Albaluna", trouxeram-nos uma sonoridade mais abrangente, ao nível das músicas do mundo.


A Feira e as reconstituições dos rituais Celtas, deixaram todos quantos participaram ou assistiram, muito mais ricos, culturalmente falando, uma vez que ficaram a conhecer usos e costumes dos nossos ancestrais, contribuindo para uma maior compreensão das nossas raízes histórico/culturais.
Loriga está de parabéns, porque soube, mais uma vez, através da força cooperativa das suas gentes levar a efeito um realização que a todos enche de orgulho e que contribuiu para elevar da autoestima de uma comunidade que tem sido esquecida, quer pelo poder central que pelo poder municipal.

Dirão: Mas este projeto foi subsidiado pelo Orçamento Participativo.

Direi: Sim. Mas um evento com este alcance histórico/cultural, merecia ter sido visto com outros olhos pela área da cultura municipal, que aqui deveria investir, nem que fosse metade dos recursos que tem investido em realizações inóquas que, para além de não mobilizarem os munícipes, se revelam em autênticos fracassos, do ponto de vista da divulgação cultural.

A ideia inicial era criar um evento sustentável, duradouro e que pudesse ser replicado em edições futuras, criando impacto económico no tecido empresarial local, principalmente nas empresas ligadas ao turismo, mas, com criatividade e empenhamento, outros sectores poderão vir a beneficiar com a visibilidade que este tipo de eventos provoca nas comunidades que os realizam.

O futuro deste evento depende, assim, de toda a comunidade e não apenas do pequeno grupo que realizou  a primeira edição-

Todos seremos poucos para continuar esta tarefa! A segunda edição começa hoje, se todos dermos as mão e quisermos que ela se realize.
Mãos à obra!


Loriga, 19 de novembro de 2017


1 comentário:

emanuel moura disse...

A terra dos meus pais que eu adoptei como minha ,um grande abraço felicidades